Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Laços de Família


Há uns anos, todas as noites tinham um ritual. Depois de jantar, o sofá era o poiso certo para assistir à novela da noite. Na altura em que só havia uma por canal e que as da Globo eram realmente boas. E as do Mané surreais.
Sinto saudade de seguir histórias de amor com a inocência de quem acredita em amores incondicionais. Histórias de vida que tomava como minhas, músicas que me enchiam o coração, sorrisos que me aqueciam a alma e diálogos que ainda me emocionam, quando recordo.
Sei que, se as mesmas novelas dessem nos dias de hoje, não as seguiria. Mas mesmo que as seguisse, o que sentiria jamais seria igual. A minha visão da vida é hoje muito mais adulta e real. Fruto de vivências.
No fundo, sei que sinto falta daquela sala pequena e aconchegante, do aquecedor e da manta para três, dos quatro canais ou da TV Cabo que ainda não era Zon, nem permitia gravações. Do candeeiro das tulipas como luz de presença, das pernas em cima da cadeira, das tabletes de chocolate partilhadas e de estar em família.
Talvez seja mesmo isso. Sinto falta de estar em família.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Até engoli em seco



Roubada daqui.


Prazos de validade



Tudo na vida tem um prazo de validade. As loucuras desmedidas, os caminhos obscuros, os pensamentos profundos. As certezas, as experiências inesquecíveis e os sonhos irreais.
As esperas nunca são eternas, as mágoas acabam sempre antes do previsto e a paixão esvai-se no suor de corpos ardentes e ansiosos. O amor permanece inabalável até à próxima lágrima, que poderá não ser só uma. E o copo meio cheio transborda antes da eternidade prometida em jantares regados a vinho tinto, ou noites de corpos entrelaçados.
Há prazos de validade maiores do que outros. Mas poucos são tão curtos como o das sensações.