Vejo as tuas rugas, traços de alegria, que outrora foram parte do meu dia. As tuas mãos grandes. Sinto o teu toque suave, o teu cheiro, a tua presença. Olho e vejo-te por dentro. Sinto-te. Sinto o teu coração descompassado. Aquele que um dia foi tão certo, tão grande, tão meu.
Respiramos o mesmo ar, mas os cheiros que sentimos são tão diferentes. Relembram-me o que ficou lá atrás. E as recordações são já tão longínquas.
Revejo-te em cada imagem, em cada palavra, em cada som. Em cada sopro, em cada gesto, em cada sorriso. Arremessas-me o coração, enquanto me dás a provar o trago amargo desta vida, que já foi tão nossa, tão tua.
E dóis-me. Dóis-me. Dóis-me.
