Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 15 de julho de 2010

10/Março/2008 - 15/Julho/2010




Numa manhã de Março, depois de muito pensar, decidi finalmente criar um blog. Precisava de espaço. De um espaço meu, que eu pudesse construir aos poucos com palavras com mais ou menos sentido. Que eu pudesse ir decorando conforme o estado de espírito. Onde eu pudesse ouvir a minha música. Onde entrava quem eu queria. E onde quem entrava já não precisava de bater ou limpar os pés, entrava simplesmente, porque era da casa.
Aqui eu fui feliz. Deixei muito de mim. Partilhei grandes momentos de felicidade e grandes acontecimentos que mudaram a minha vida para sempre. Queixei-me da vida que levei, ou do que a vida me deu, nem sei bem. Mas no fundo, esta casa sempre foi a minha terapia. Foi aqui que sempre me senti reconfortada. E que sempre arranjei forças para viver o futuro.
Foi aqui que vivi um grande amor, nesta casa que construí também para ti. E como te mudaste, eu mudar-me-ei também. Não faz sentido continuar a minha história num sítio de ausência.
Estarei por aí, algures perdida no mundo. À procura do conforto de um lar.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Paixão.
Loucura.
Insegurança.
Desejo.
Fobia.
Receio.
Esperança.
Força.
Sombra.
Morte.

Caos.


E assim se põe o mundo inteiro a chorar e a acreditar que as provas de amor existem mesmo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Das fases e do tempo




Tudo na vida tem um tempo. As primeiras experiências, os primeiros tremores nas pernas, os primeiros arrepios e os primeiros batimentos cardíacos descompassados. As primeiras zangas, as primeiras discussões e os primeiros desgostos. E nestes, parece que o mundo vai desabar. Abrimos a torneira do choro sem saber como fechá-la, criamos um nó no estômago que não nos deixa comer, passamos noites em claro e não há quem nos arranque uma gargalhada sentida. Imaginamos tudo o que a pessoa pode estar a fazer, todas as pessoas em quem pode estar interessada e todos os bons momentos que pode estar a viver, enquanto nós batemos no fundo. Até ao dia em que tudo acalma.
Com o tempo, os desgostos deixam de ter a mesma intensidade. O fim de uma relação deixa de parecer o fim de tudo. É apenas o início de uma nova fase. E se nos primeiros dois ou três dias ainda caímos no erro de procurar saber da pessoa, seja de que forma for, nos dias seguintes já sabemos como evitar fazê-lo. E pouco depois já nem precisamos de evitar, simplesmente porque deixamos de ter vontade. A pessoa pode andar com quem quiser, à hora que quiser, que isso já não nos diz respeito. Com a maturidade, o poder de encaixe aumenta. Já sabemos melhor como é a vida e o ser humano em particular. E somos todos iguais.
Assim sendo, não há nada como libertarmo-nos da raiva e curar as mágoas. Não é assim tão difícil, quando temos o coração e a mente abertos. Passo a passo, dia após dia, tudo se desvanece no tempo. Passou o tempo de sofrer. Chegou a altura de olhar para o passado com carinho, recordá-lo como um conjunto de momentos felizes e seguir em frente. De consciência tranquila e com o sentimento de dever cumprido.

terça-feira, 6 de julho de 2010


A mãe do Ted dizia que depois das duas da manhã nada de bom acontecia. Eu posso comprovar que ela está errada.

Do azar que se instalou


Há alturas de azar. Daquelas em que tudo o que tocamos se estraga. Tudo começou há cerca de dois meses. Numa bela manhã de Maio eis que o computador se desliga sozinho, sem dar mais sinais de vida. Afinal não foi tão mau como se pensava, apenas o carregador que se estragou. Depois do arranjo, volto à vida normal. E duas semanas depois o que deixa mesmo de dar? O próprio computador, com um belo orçamento de 500€ para o arranjo que nunca acontecerá. Segue-se o carregador do computador com que ando desde então. Do mal o menos. E o telemóvel que se resolveu estragar quinze dias depois do arranjo. E a cadeira de baloiço que dizem que era, Deus a tenha em eterno descanso, uma peça tão valiosa, que ontem sucumbiu assim que me sentei. Resultado: muitos arranhões nas pernas e nas costas e uma dor insuportável nas mesmas, que quase não me deixa mexer. A juntar a uns quatro cortes nas mãos, resultantes das mais diversas situações e uma nódoa negra enorme que fiz só porque entrei na banheira. E um pote partido porque resolvi pôr lá uma escova.  Acho que nos próximos tempos vou deixar de conduzir. Assim como assim, só falta mesmo o carro.

O Ruca fica acordado até tarde


Por vezes é bom lembrarmo-nos como é bom ser criança. E relembrar a ternura, esse sentimento que a Graça Gonçalves tão bem me ensinou.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Adormecido



À Margarida



Das coisas boas da vida é saber que se é amado incondicionalmente. Não falo do amor apaixonado, que esse mais dia, menos dia pode ficar retido num passado que nem reconhecemos como nosso. Falo do amor verdadeiro, no de sangue ou no de uma amizade tão forte que será sempre relembrada carinhosamente no tempo, mesmo que o espaço físico se encarregue de nos afastar.
Noutro dia disseram-me que há certas coisas que têm de ser ditas, não basta serem sentidas. Com toda a razão. E eu que tenho tanta dificuldade em expressar emoções! Ainda hoje me é difícil admitir o que sinto, dizer que gosto, dar um abraço ou um beijo inesperado. É uma questão de feitio mas também um problema de vivências que não interessa desenvolver. Com o tempo, aprendi a expôr-me um pouco, dando mais de mim a quem gosto. E tem sido boa essa experiência, mesmo que apenas com três ou quatro pessoas. O ser humano é muito mais bonito quando se dá.
Num momento de tristeza calada, que só pressente quem ama, sabe bem de mais ter alguém que nos diz que somos uma das pessoas mais importantes da sua vida. Que espera que nunca nos afastemos e que o medo da perda é enorme. As lágrimas que me toldaram os olhos, impediram-me de dizer o mesmo. Mas como sentir não basta, como tu dizes, aqui te digo que o amor que sinto por ti é inquantificável. Daquele verdadeiro, que corre no sangue e se refugia debaixo da pele, a postos para sair a qualquer momento. É aquele que me faz deixar tudo para ir em teu auxílio, que me permite afagar-te as mágoas no regaço a qualquer hora do dia ou da noite, sem receio das consequências. Que só te quer ver e fazer feliz, implique isso o que implicar. Sem inveja, ciúme ou medo. Porque sabemos que, aconteça o que acontecer, teremos sempre um colo à nossa espera. A abarrotar daquele amor que, de tão grande, chega a doer.


Há alturas que de tão fartas só podem estar condenadas ao sucesso. Como aqueles dois dias em que se juntaram a atracção, a paixão e o amor. Mesmo não querendo perder oportunidades, a escolha mostrou-se a melhor. Até ver.