Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 29 de novembro de 2011

Não à violência



Mais um campanha chocante o suficiente para nos lembrar que era a realidade da violência doméstica que devia acabar, não a vida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A beleza da banalidade



Dos dias normais, guardo a recordação dos jantares a três, do nestum com leite, das padinhas com nutella, do arroz de cabidela a quatro, das conversas banais e despretensiosas, dos episódios escolares de pais e filhas, numa realidade que era tão próxima. Relembro as conversas que eram só de mulheres, as primeiras confissões amorosas, as caixas de bombons compradas em segredo, os intervalos da tarde passados ao ar livre, a hora de ir embora no carro que agora é meu e quase esqueceu que um dia já foi de outra maneira.
Lembro os almoços de família, quando havia vontade de preservar a harmonia. A sopa quente com chouriça, a carne assada com castanhas, que nunca mais terá o mesmo sabor. O espera maridos e o bolo-rei de frutos secos, a cadeira de flores em frente à televisão, a reunião de mulheres na cozinha e o barulho da louça suja. As corridas de crianças no corredor e o gatinhar dos bebés, as cerejas a fazer de brincos, a caixa de rebuçados de morango guardada no quarto da avó, as tardes de cantorias ao som do piano, os fantasmas que apareciam enquanto almoçávamos, os fins de tarde dos Simpsons que nem entendíamos e as sandes de carne assada com maionese.
No fundo, tenho pena que a morte exista, que as pessoas se transformem, que os desentendimentos aconteçam, que os valores não sejam imutáveis, que os divórcios sejam inevitáveis, que as traições aconteçam dentro de portas e que o abandono seja o pão nosso de cada dia. Lamento que a vida se transforme quando é para pior e que os dias normais deixem de o ser, também porque a inocência ficou perdida numa casa onde o sol raiava e os dias eram alegres. Repletos de cores e cheiros. Hoje quase esquecidos no tempo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sufoco

Não é fácil viver relações complicadas e disfuncionais. Não é fácil enfrentar discussões constantes, desconfianças com fundamento, sentimentos de inferioridade e desinteresse.
E mais difícil ainda é saber que há pessoas em situações piores. Pessoas em relações com um fim anunciado, mas adiado, mágoas profundas, muita falta de respeito e de consideração.
E, por isso, hoje é um dia triste.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Hoje sinto-me nervosa. Tive pesadelos daqueles que mexem mesmo comigo. Alguns dos meus grandes medos viraram realidade. O sofrimento antigo desceu sobre mim e fez-me acreditar que tudo aconteceu ontem.

O fabuloso destino de Amélie






"São tempos difíceis para os sonhadores."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O homem desconhecido


Numa revista desta semana, Marta Cruz fazia a capa. Lançou um livro sobre o drama que conheceu desde que o pai foi envolvido no escândalo "Casa Pia".
Qualquer pessoa que tenha uma relação normal com um pai, tem a sua vida completamente afetada e modificada, se o vê envolvido num caso destes. A vergonha, a incerteza, as questões constantes, devem consumir a alma hora após hora, dia após dia. Não quero imaginar.
Mas por maior que seja a dor de quem acompanha um suposto predador sexual, esta nunca será maior do que a de quem foi abusado. Mesmo que não haja certezas, é sempre importante lembrá-lo.
Eu não sei se o Carlos Cruz abusou das referidas crianças ou não. Mas acredito que sim. Pelos casos que já observei, percebi que o abuso sexual não escolhe faixas etárias, QI, formação ou estrato social. O psicopata está ali mesmo, ao virar da esquina. Envolvido em causas sociais. Lutando pelo povo. Na mesa ao lado num café. Em encontros de amigos. Ou na nossa própria casa. E, por mais difícil que seja, pode perfeitamente ser o nosso pai.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011


Enquanto eu fizer má cara, me chatear, discutir, falar mais do que devo ou chorar, está tudo bem. Ainda estou interessada.
O problema é meu silêncio.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Marques




Hoje, enquanto lia depois do lanche, um senhor aproximou-se da minha mesa, perguntando-me o que estudava. Não estudava, limitava-me a folhear uma revista feminina. Naquele específico momento, lia um teste de personalidade. E a viagem a que isso nos levou.
Da minha personalidade à dos outros, da personalidade feminina à masculina, tudo foi falado.
Finalmente ouvi da boca de um homem mais velho, com a honestidade de quem nada tem a perder, o porquê dos homens terem medo da dependência emocional, de que dizem que tanto precisamos. Contou-me o porquê dos homens substituirem mulheres. Tentou convencer-me da asneira que era nós fazermos igual, substituindo-os. Bem vista, a análise feita às diferença de carater, ainda que não lhe tenha prometido seguir conselhos.
O Marques falou-me de paixão, de relações e do pós relação. Lembrou-me a falta do sorriso perfeito, da palavra certa, do som da voz. Falou-me abertamente de amor. E eu enchi-me de certezas.
Outro beijinho.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sonhos cor de rosa




Sempre gostei muito de música e poesia. Nos bons e nos maus momentos, complementaram diferentes formas de sentir. Mas nada me faz experimentar mais sensações do que ambas aliadas à dança. Foi o caso deste vídeo, que me foi mostrado já há bastante tempo. Não o consigo ver sem me emocionar.
Qualquer mulher sonha com uma declaração daquelas mesmo à filme. E não, não tem de ser pública. Tem de ser diferente e emocionante o suficiente para ser sempre lembrada com taquicardia.
Só que o sonho de todas as mulheres pode realizar-se tal como imaginaram com alguém diferente do esperado. Acontece mais do que imaginamos. E a frustração é grande. Por mais propício que seja o ambiente, por maior que seja o amor, por mais bonitas que sejam as palavras, por melhor que seja a voz ou o complemento usado, nada é suficiente quando não vem da pessoa certa.
Já me escreveram músicas, já me dedicaram a minha música favorita da altura a duas vozes, já me dedicaram as mais bonitas poesias do mundo e nada chegou. Nada chega quando do outro lado temos alguém que não é o mundo. O nosso mundo.
Como qualquer mulher, sonho. E enquanto sonho, entretenho-me a viver a vida dos outros.