Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 26 de abril de 2012

Liberdade


Corria o Verão de 1970 quando M. foi chamado para ir para o Ultramar. Sem contar a ninguém, tentou aproveitar os últimos dias na Metrópole, trabalhando para ganhar uns trocos e divertindo-se nos tempos livres. Pouco antes de partir, coube-lhe a dura tarefa de contar a notícia que todos temiam.
Em Agosto, o pai acompanhou-o ao aeroporto de Figo Maduro. A mãe não conseguiu, a dor toldava-lhe os movimentos. O irmão esforçou-se, mas acabou só, a chorar, sentado numa pedra. Não lhe doía tanto se fosse ele. E sabia que não poderia ir, afinal eram só dois filhos.
Todos os anos, no dia 25 de Abril, ouço uma parte desta história. E sei que, por mais anos que passem, terei sempre de festejar Abril com orgulho e emoção.