Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 18 de março de 2010

Pensamentos soltos # 2

Voltei a sonhar e acordei. Voltei a acreditar e caí na real. De novo, pensei que poderia ser diferente. E foi igual. Quando não quis ver fui a deslizar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Penso em ti
Mas só mais uma vez.


(Eterna.)
Se partires não vou chorar
Nem pensar em tudo que foi
Se ficares serás miragem
Que não mata mas corrói
Serás vislumbre do caminho
Deslumbre da utopia
Que ao longe, tão longe
Criei, só
Um dia

Irás de mãos cheias
Coração arrebatado
Possuído até à exaustão
Por essa dor tão revoltante,
Mesquinha e indecisamente sentida,
Duradoura, constante

Tenho a culpa a palpitar
Todo o corpo está gelado
Tenho o sonho a trespassar
O sono que pretendo eterno
Enquanto te venero na imensidão
De tudo o que pedi em vão

Há uma praia depois da linha
Que um dia nos dividiu em dois
Há um adeus a dizer
Um para sempre.

Até depois.

O sítio



Não sei como dizer-te o que és para mim se eu própria não consigo qualificar tamanha enormidade. Tens tudo aquilo que sempre sonhei e a capacidade de me fazer sonhar tudo o que nunca imaginei. Juntos conseguimos ser mais, mesmo quando nos tornamos tão pouco. E separados podemos ser um nada cheio de tudo, uma complexa contradição que nos define e nos identifica entre tantos outros. Distinguimo-nos entre a multidão pelo simples ar que respiramos e se torna mais pesado pela profundidade, enquanto fica leve pela ligeireza que trazemos um ao outro. Sorrimos com o coração quando sabemos que se um vem em paz, o outro vem por bem. E todo o corpo chora e reage quando metade dos nossos ombros estão descaídos e os braços se abrem lentamente num gesto de soldado que perdeu a guerra do momento, que pode parecer a da vida. Que entre o parecer e o ser, desde que o mundo é mundo sempre houve uma grande distância. É por isto e por cada momento em que o sol espreita, ou em que a sombra nos impede de vislumbrar a claridade que pode tomar o nome de clarividência, que eu me alegro ao dizer que há um sítio onde o escuro não chegou.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O que eu um dia gostava de ter escrito

Por cada vez que eu digo que as mulheres não são umas cabras com as outras, acontecem-me três ou cinco coisas que me fazem engolir as minhas próprias palavras. Como em tudo, há que não generalizar. Uma coisa posso dizer, as "santinhas" são raras e começo por mim que tanto posso ser um doce como gastar horas a cortar a casaca ou no corte e costura. Mas eu tenho príncipios, pelos menos tenho os meus princípios. Um deles é não alimentar o ego de homens comprometidos, nem falo de ensaiar um flirt ou a heresia de ter un caso com o estafermo. Eu respeito, até o mais ténue estilhaço de compromisso que duas pessoas tenham e desprezo, verdadeiramente, quem prefere atirar areia para os olhos e pensar que está bem, que pode ser certo ou compreensível num mundo paralelo meter-se no meio de uma relação onde estamos a mais. É óbvio que a mulher/namorada não os entende - canalha. É óbvio que ela lhes faz a vida um inferno - os sacanas não sabem por a roupa suja no cesto? Uma relação tem altos e baixos e se houver sempre à espreita uma serigaita para lhes passar a mão pelo o pelo, dificilmente o estupor se vai dar ao trabalho de fazer melhor. É mais fácil sair de casa e vender a sua porcaria noutra freguesia. O pior é que quem fica para trás pensa que fez algo de mal, que podia ter cuidado mais, que podia ser mais bonita, mais magra ou mais interessante. Curioso é que quando eu olho à minha volta, as ditas chanfradas das mulheres que eles não podiam aguentar mais foram trocadas por vaquinhas de beira de estrada, galdérias com metade da classe, estilo e inteligência das anteriores. Mas claro, estou a generalizar. Estes homens de que eu ouvi falar são normalmente uns miseráveis complexados com pelas conquistas da mulher que os escolheu. Eu não consigo sequer ter pena delas. Tenho a certeza que lhes vai sair melhor na próxima rifa!


Do que não pode ser


Aqui estou, uma vez mais entregue a mim. Não sei para que lado me virar, não sei sequer o que espero de mim. Sei que não me faço bem e não sei ao certo dizer o que me faz.
Apetecia-me ter um comando que teletransportasse para perto de mim quem é importante. Talvez assim nunca conhecesse este estado de espírito. Talvez assim a minha vida fosse diferente. Talvez assim a vontade de viver fosse outra.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Muito p'ra mim é nada

Tudo p'ra mim não basta
Eu quero cada gesto
Cada palavra
Cada segundo da sua atenção

Faça isso por mim
Leve a dor p'ra longe daqui
Estou cansado de ouvir que eu só sei amar errado
Estou cansado de me dividir

(...)

Eu quero absurdos
Quero amor sem fim
Quero te dizer que
Eu só sei amar assim...

E lá vão dois!

terça-feira, 9 de março de 2010

A diferença dos dias

Consegui acordar neste dia que cheirou a Primavera, logo pelas oito da manhã, sem pensar no passado. Mas esse pedaço de história entrou-me pela janela do carro sem pedir licença. Já não dói, como todos os anos até aqui. No entanto, ainda me faz recear.
Penso na vida que levei até aqui e fico abismada com a inutilidade de tantos dias passados. Recordo outros e espanto-me com a ingenuidade de tantos outros vividos na obscuridade. Relembro que há três anos fiquei finalmente só, quando te vi abandonar o ninho desfeito com uma mala às costas. Não olhaste para trás, nem sequer hesitaste. Saiste, bateste a porta e deixaste-me desfeita. Demorei a recompor-me, sempre o soube. E os danos continuam aqui, constato-o à distância. Cada vez mais vivo do momento e empurrei para o canto o futuro que não sei se terei. A partir daí, todos os dias me dividi entre a doçura e o medo. A partir daí, mesmo tendo tido dias cheios, quase todos se tornaram de niguém. Quase todos se tornaram de coisa nenhuma.

Dei-me ar, dei-me espaço p'ra respirar

Não quero falar da lufada de ar fresco que obriguei a atingir-me. Isso significaria dar muito de mim a um espaço anónimo. Mas também não quero falar a quem conheço. Tenho medo que a intensidade dos momentos se perca na fugacidade das palavras. Receio a minha incompetência perante a linguagem verbal, sempre me dei melhor com a física. E não há nada que retrate a complexidade sentimental de quatro dias secretos. Nem mesmo a escrita de que tanto gosto. Por isso vim aqui, apenas para marcar no calendário que não desejo falar desta lufada de ar fresco que, cheia de alegria, digo: trespassou-me.