Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quando a força foge por entre os dedos


Tenho uma amiga que foi também colega durante largos anos. Companheira de quase todas as ocasiões. Sempre foi extremamente organizada e meticulosa. Era daquele tipo de pessoas que não se deitava sem ter o quarto escrupulosamente arrumado, a roupa escolhida para a manhã seguinte e pousada na cadeira. Combinava sempre as cuecas com a roupa, se via um pêlo que mais ninguém via tinha de ir imediatamente fazer a depilação, tinha caixas de bijuteria ordenadas como não vemos sequer nas lojas por aí. Nós encarávamos aquele comportamento com a leveza que pensávamos merecer.
Por circunstâncias da vida afastámo-nos um pouco, deixámos de a ver com frequência e de ter plena consciência do que se foi passando na vida dela. Hoje percebo que lhe fazemos falta. Sempre teve um comportamento obsessivo, mas nós íamos equilibrando a situação. Agora que se afastou do ambiente a que estava habituada tudo piorou, mesmo depois de ter arranjado um namorado que não podia fazer mais por ela. E eu, mesmo sabendo que ao longo deste tempo sempre fiz por contactar e por lhe fazer bem, sinto-me culpada. Não fui eu que me afastei, foi ela. Mas porque não está bem. Não nos teve com ela para naqueles dias rotineiros a fazermos rir e levantar a cabeça. Faltou-lhe o apoio de sempre, aliado a uma ou outra desilusão que sofreu. Acentuou-se o comportamento obsessivo, o nervosismo com que age perante tudo aumentou exponencialmente, a vontade de rir já não vem dotada da mesma naturalidade e o olhar inquieto nunca traduz felicidade (e sei que a vejo quase sempre em dias bons). Sinto-me de mãos e pés atados, porque sei muita coisa que não devia saber, sei que devo ajudar... Só não sei como. Mas terei de arriscar qualquer coisa. Ela vale mais do que meras tentativas inúteis.




Hoje usarei um novo olhar quando encarar o sol. Transpirarei alívio, libertarei a energia acumulada nos últimos tempos, saborearei de forma diferente o primeiro fino que beber na minha nova condição. E ai de quem me vier dizer que o primeiro de Agosto é o primeiro de Inverno! Sol, não me desiludas. Eu prometo tentar ver-te muito tempo todos os dias. Só não me derretas...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Certezas



É quando sinto domingos à noite que ganho consciência do que realmente quero para mim. E é quando me esforço até à exaustão, ando com olheiras até à boca, faço longas viagens que me levam a ver o que quero, mas não a tê-lo, que fico com a impressão de que não há certezas absolutas.

sábado, 11 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

(Dois d') Os piores anúncios de sempre






1. O verdadeiro incentivo à pedofilia.

2. Anúncio de uma embalagem hermética para guardar café. Não é preciso dizer mais.


Lamentavelmente degradante!

( Daqui. )

terça-feira, 7 de julho de 2009

Luto prévio de uma morte anunciada



Lembro-me de ter uns dez ou onze anos e ter começado na SIC a série "Jornalistas", de que não perdia um único episódio. Chegava a gravá-los e passava as férias a vê-los, sabendo tantas e tantas falas de cor. Vem daí a minha adoração pela classe jornalística, que durante algum tempo ainda ponderei integrar, por pensar que era como aquela redacção da fictícia "Gazeta". Imaginava-me numa redacção com colegas daqueles, em que o divertimento pairava sempre no ar, havia um editor como o Diogo Infante e que o cheiro era precisamente aquele que eu imaginava e queria: a papel, tinta, plástico e café. Era a redacção que queria para posto de trabalho, aliada ao facto de poder sair para grandes reportagens, não propriamente escrever. Hoje entendo que, se os jornais não são bem como lá foram retratados, o excesso de conhecimento da vida alheia é assim mesmo. Mas, afinal, não será igual em todo o lado?
Ontem o Arrumadinho, jornalista de profissão, anunciou o fim do seu blogue. Não o descobri há muito tempo, mas desde que aconteceu que não passo sem o ler. Fala da forma que as mulheres desejam, enquanto nos vai mostrando a análise masculina. Critica-nos levemente, fazendo-nos pensar até nas atitudes mais pequenas, de forma inteligente, leve e humorada. E fala de sentimentos com uma abertura que aprecio de mais. É importante que um homem saiba abrir o coração sem receios, mesmo que tantas vezes não se consiga expressar como quer e que vá para além da política, economia, futebol e gajas ordinárias. É importante conseguir tocar-nos, mesmo que Deus nos deixe desprovidos de tacto.
A partir de amanhã a blogosfera diz-lhe adeus. E não é ele que perde. Somos nós.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A próxima vítima


É ainda surpreendente como as pessoas deixam que o amor as magoe. Na verdade, não é o amor. Somos nós próprios. Isto do amor é uma boa desculpa. Dizemos o amor como se fosse um limpa-chaminés. E o limpa-chaminés lá anda farrusco a enfiar-se nos funis das casas antigas. A culpa é só nossa. O amor está sentado impávido e sereno num banquinho de jardim (mas sem fumar - o amor não fuma) e de repente passam duas criaturas chorosas e fungonas a dizer: a culpa é do amor. E o pobre coitado lá leva com o peso da dor do mundo. O amor não tem culpa. Somos nós que nos fazemos mal. (...)



in "O sexo e a Cidália", NS nº 182

domingo, 5 de julho de 2009

Depois de um longo momento de paz...





I can't believe that we would lie in graves
Wondering if we had spent our living days well
I can't believe that we would lie in graves
Wondering what we might of been


Would you not like to be
Would you not like to be
I cant believe that you would not like to be
Would you not like to be


(Dave Matthews Band)

sábado, 4 de julho de 2009

As noites, noites!


Há noites com amigos que se tornam inesquecíveis. Há noites com alguém especial que têm um sabor único. Há noites que aos amigos se junta alguém especial numa procura de harmonia. E essas noites suspiram e sorriem, porque mesmo terminando são intermináveis.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quero voltar


Para aqui. E ficar.

They don't care about us





Não fiquei com a febre Michael Jackson só porque ele morreu, até porque pouco vi ou li acerca disso. Fiquei surpresa, como todos, mas não passou muito disso. Só que numa destas noites, uma que não queria que acabasse, enquanto fazíamos zapping apanhámos um programa que o homenageava e por lá ficámos. Foi aí que, ao fim de alguns anos, voltei a ouvir esta música. Já a dancei. E que saudade me trouxe...



All I wanna say is that
They don't really care about us
All I wanna say is that
They don't really care about us

Tell me what has become of my life
I have a wife and two children who love me
I am the victim of police brutality, now
I'm tired of bein' the victim of hate
You're rapin' me of my pride
Oh, for God's sake
I look to heaven to fulfill its prophecy...
Set me free

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dia de Golias



A distância de quem se gosta custa sempre a suportar. Só que quando é grande, sabemos que tem de ser assim e não há muito a fazer para a diminuir, aguentando-se meses. Quando é pequena, um dia parece uma eternidade. Oh se parece!