Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 7 de julho de 2009

Luto prévio de uma morte anunciada



Lembro-me de ter uns dez ou onze anos e ter começado na SIC a série "Jornalistas", de que não perdia um único episódio. Chegava a gravá-los e passava as férias a vê-los, sabendo tantas e tantas falas de cor. Vem daí a minha adoração pela classe jornalística, que durante algum tempo ainda ponderei integrar, por pensar que era como aquela redacção da fictícia "Gazeta". Imaginava-me numa redacção com colegas daqueles, em que o divertimento pairava sempre no ar, havia um editor como o Diogo Infante e que o cheiro era precisamente aquele que eu imaginava e queria: a papel, tinta, plástico e café. Era a redacção que queria para posto de trabalho, aliada ao facto de poder sair para grandes reportagens, não propriamente escrever. Hoje entendo que, se os jornais não são bem como lá foram retratados, o excesso de conhecimento da vida alheia é assim mesmo. Mas, afinal, não será igual em todo o lado?
Ontem o Arrumadinho, jornalista de profissão, anunciou o fim do seu blogue. Não o descobri há muito tempo, mas desde que aconteceu que não passo sem o ler. Fala da forma que as mulheres desejam, enquanto nos vai mostrando a análise masculina. Critica-nos levemente, fazendo-nos pensar até nas atitudes mais pequenas, de forma inteligente, leve e humorada. E fala de sentimentos com uma abertura que aprecio de mais. É importante que um homem saiba abrir o coração sem receios, mesmo que tantas vezes não se consiga expressar como quer e que vá para além da política, economia, futebol e gajas ordinárias. É importante conseguir tocar-nos, mesmo que Deus nos deixe desprovidos de tacto.
A partir de amanhã a blogosfera diz-lhe adeus. E não é ele que perde. Somos nós.

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