terça-feira, 31 de março de 2009
Podes...
Podes voltar a ligar, procurar-me a qualquer hora, convidar-me para ver o sol e o mar, pedir-me só mais cinco minutos ou até uma hora, preparar-me um jantar, abraçar-me no meio da rua e mostrar-me os sítios mais intimistas. Podes aparecer de surpresa, tentar encurralar-me, implorar que fique, prender-me no escuro e até encher-te de magia. Eu estou sempre cá, mas cada vez mais longe. Já está bom!
Lambada!
- La Salet tens de me ensinar a dançar.
Não sei ensinar ninguém a dançar (ou melhor, não tenho jeito para ensinar nada a ninguém), mas depois de ver uns vídeos no youtube estou com uma vontade incrível de dançar a lambada. Parece que vou ter me dirigir à festa académica mais próxima, que o La Movida é só daqui a duas semanas, e recrutar alguém.
Chorando se foi
Quem um dia só me fez chorar
segunda-feira, 30 de março de 2009
Cantam-me assim:
No cenário da tua vida
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu
Desistir II
Também não entendo quem desiste de um blog porque desiste de uma relação. É que não havia de faltar mais nada!
Ainda que este amor me pareça uma loucura, mais concretamente uma obssessão, não deixa de ser bonito ver que ainda há homens assim. Esperemos que a Inês lhe ligue e tenhamos uma história realmente ao nível de Pedro e Inês. De preferência sem cabeças a rolar.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Hormonas!

"Rai's parta" quem decidiu que o que era mesmo mesmo interessante era as estúpidas das supra-renais libertarem quantidades exorbitantes de adrenalina em certas situações. Não é assim tão fixe!
(Vá lá, pelo menos já queimei algumas gordurinhas!)
quarta-feira, 25 de março de 2009
Desistir
Há na nossa língua palavras que não suporto. Uma das que mais me magoa é "desistir". Desistir de um projecto, de um ideal, de uma vontade. Quantas e quantas vezes por dia não nos encontramos no dilema?
Em conversa com um amigo ele disse-me que desistiu do seu blog. E eu, blogger relativamente recente e com um espaço sem interesse, sinto-me incapaz de o fazer. Muitas vezes já me arrependi de o ter criado e me passou pela cabeça acabar com ele, mas nunca consegui. Posso deixar de escrever - como já aconteceu-, posso impedir o acesso, mas não posso matá-lo. Não é aquilo que eu gostaria? Não. Mas é um bocadinho de mim que fica registado, um bocadinho que faz parte da minha história e para onde me faz bem olhar de vez em quando.
Nunca pus fora um único cartão, uma única carta, postal, fotografia ou outra lembrança. Da minha vida só afasto pessoas, recordações jamais. Mesmo que nunca mais interessem. Tenho guardado tudo aquilo que consigo, ora em caixas, oras em memória digital, ora na minha própria memória.
O futuro terá de ser pensado e pode ser escolhido. O passado não tem escolha possível. Tem de ser aceitado e sempre, mas sempre, relembrado.
Defeito de fabrico
São assim desde pequeninos.
- Gosto de ti quando me dás bolachas.
- Gosto de ti quando deixas de brincar às bonecas e brincas comigo aos médicos.
- Gosto de ti quando me dás mais do que um beijinho atrás da escola.
- Gosto de ti quando não começas com exigências.
- Gosto de ti quando me deixas sair sozinho.
- Gosto de ti quando me dás um iPhone.
- Gosto de ti quando não te demoras a arranjar.
- Gosto de ti quando não olhas para o meu amigo.
- Gosto de ti quando me dizes o que pensas.
- Gosto de ti quando não tens ciúmes.
- Gosto de ti quando não implicas porque jogo playstation.
- Gosto de ti quando quando me fazes o jantar.
- Gosto de ti quando não vais às compras.
- Gosto de ti quando queres fazer amor duas vezes seguidas.
- Gosto de ti quando não implicas com a combinação da minha roupa.
- Gosto de ti quando te deixo sozinha e não te zangas.
- Gosto de ti quando me deixas não dar explicações.
E amor incondicional, meninos? Sabem o que significa?
segunda-feira, 23 de março de 2009
Para o meu Pedacinho
Como me atrevi a contar no sábado à noite, faz hoje 17 anos que foram chamar o meu pai e o vi partir a correr. Que cheguei a casa e a minha mãe estava deitada com um ar abatido, enquanto tentava à força dar-lhe uma bolachinha. Há dezassete anos estava sentada no colo do meu avô enquanto víamos televisão. O telefone tocou e o avô disse que já tinha uma irmã. E à noite, pela primeira vez, a mãe não estava em casa para me adormecer, só o pai naquele quarto de luz amarela.
De manhã tratou de mim, vestiu-me a camisola do ursinho que usava por casa, em vez da bonitinha que a mãe deixara pronta (homens!), pôs-me um ramo de flores na mão e levou-me ao hospital.
Foi naquele bercinho branco que a vi pela primeira vez: um ratinho pequenino, de cara vermelha que a cegonha trouxe com um ovo de páscoa e uma Meggie. E riu-se para mim. Ou eu achei que sim e assim anunciei.
Vieram muitos ciúmes, muitas zangas, mas o que marcou e tenho a certeza que continuará a marcar é a cumplicidade que nos une. É por isso que hoje escrevo para ti, pedacinho de La Salet. Parabéns!
Desabafo

Não, eu não estou distante. Estou no mesmo lugar de sempre. A um sinal, uma mensagem, um telefonema. E não gosto de conversas paralelas, prefiro os assuntos esclarecidos na hora. Agora sou assim, sabiam?
Houve simplesmente um cansaço que me invadiu de mansinho e que agora me roubou o corpo e a alma. Já não há paciência para más interpretações, para cortes de última hora, promessas por cumprir, lamechices com o dito-cujo, falta de interesses comuns, exigências absurdas, faltas de atenção, cenas de ciúmes, abandonos e mudanças de humor. Agora que me desiludi com tanta gente quero simplesmente divertir-me e prezar a companhia de quem me faz bem. Quero deixar de ver quem se mete na minha vida e me dá cabo da cabeça, conseguir ignorar quem me tenta derrubar e lembrar-me que há um dia em que nos acontece tudo o que fizemos acontecer. Quero deixar de sofrer por cegueira e conseguir fazer ver que aquilo que chamam de loucura seja tão-somente uma visão antecipada. Ou sexto sentido, que afinal sou mulher e dizem que nós temos disso. Dizem!
Chegou a hora de distinguir o que me faz bem e o que me faz mal, de crescer mais um bocadinho e conseguir ultrapassar as fases más simplesmente vivendo, sem me infringir picos de dor ou tentando infringi-los a terceiros. Há que seguir em frente na companhia certa, descarregando as más energias na altura que elas batem à porta e batendo a porta assim que elas fujam.
E não, não estou triste. Estou num pensativo dia de aceitação. É que depois de muitos de loucura há que parar um para reflectir. Vou dormir. Amanhã volto à vida normal.
Houve simplesmente um cansaço que me invadiu de mansinho e que agora me roubou o corpo e a alma. Já não há paciência para más interpretações, para cortes de última hora, promessas por cumprir, lamechices com o dito-cujo, falta de interesses comuns, exigências absurdas, faltas de atenção, cenas de ciúmes, abandonos e mudanças de humor. Agora que me desiludi com tanta gente quero simplesmente divertir-me e prezar a companhia de quem me faz bem. Quero deixar de ver quem se mete na minha vida e me dá cabo da cabeça, conseguir ignorar quem me tenta derrubar e lembrar-me que há um dia em que nos acontece tudo o que fizemos acontecer. Quero deixar de sofrer por cegueira e conseguir fazer ver que aquilo que chamam de loucura seja tão-somente uma visão antecipada. Ou sexto sentido, que afinal sou mulher e dizem que nós temos disso. Dizem!
Chegou a hora de distinguir o que me faz bem e o que me faz mal, de crescer mais um bocadinho e conseguir ultrapassar as fases más simplesmente vivendo, sem me infringir picos de dor ou tentando infringi-los a terceiros. Há que seguir em frente na companhia certa, descarregando as más energias na altura que elas batem à porta e batendo a porta assim que elas fujam.
E não, não estou triste. Estou num pensativo dia de aceitação. É que depois de muitos de loucura há que parar um para reflectir. Vou dormir. Amanhã volto à vida normal.
domingo, 22 de março de 2009
Prédio triste
A A. mostra-me que lhe custa que o tempo passe. Diz-me:
"A pergunta do Rato, tu recebeste? Tu é que traças o nosso destino... Disseste ao Joquinha que o compreendias? O meu prédio está a ficar triste. Até se sente o cheiro..."
O cheiro que se sente é o dos velhinhos que moram na casa que foi habitada por um casal jovem. É este o nosso futuro: um país com cheiro de velhinhos.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Na palma da mão
Querido Jorge, tens o dom da escrita que eu adorava ter. O dom de pôr em palavras aquilo que eu adorava poder extrair e traduzir.
É sobretudo em dias que ando por aí sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido que te ouço com mais atenção. Pões-me o braço no ombro porque preciso de alguém e dizes-me ao ouvido para tirar a mão do queixo e não pensar mais nisso, que o que lá vai já deu o que tinha a dar. Mas não é fácil, sabes? É que na terra dos sonhos posso ser quem quiser, ninguém me leva a mal. Aqui não é bem assim. No mundo real tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar, porque já vivi o suficiente para ter quem me mostrasse a origem do bem e o reverso, assim como que o fato de marinheiro não chega para se entender o mar. E perante isto, o que penso?
Talvez que enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Ou que para crescer preciso de correr na lama e voar outra vez. Mas se já caí e voltei a voar, ainda terei de cair até às mil vezes para se seguirem os abraços? Sim, parece que é essa a solução. Quero então ter os joelhos todos esmurrados, ver nascer no espelho mais uma ruga e deixar de pensar que há qualquer coisa que não bate certo.
Vou erguer a cabeça sem esquecer que há sempre qualquer coisa que deixei para trás em aberto e que somos todos escravos do que precisamos, tentando ser menos exigente, e lembrar-me que já houve tempos eu que eu tinha tudo não tendo quase nada. Vou admitir que o meu olhar tem razões que o coração não frequenta, tentando pôr para trás das costas o que já não interessa. Farei a noite apetecer e longe do tempo acabarei por dormir.
Aí, pode ser que alguém me abrace onde a solidão termina.
É sobretudo em dias que ando por aí sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido que te ouço com mais atenção. Pões-me o braço no ombro porque preciso de alguém e dizes-me ao ouvido para tirar a mão do queixo e não pensar mais nisso, que o que lá vai já deu o que tinha a dar. Mas não é fácil, sabes? É que na terra dos sonhos posso ser quem quiser, ninguém me leva a mal. Aqui não é bem assim. No mundo real tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar, porque já vivi o suficiente para ter quem me mostrasse a origem do bem e o reverso, assim como que o fato de marinheiro não chega para se entender o mar. E perante isto, o que penso?
Talvez que enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Ou que para crescer preciso de correr na lama e voar outra vez. Mas se já caí e voltei a voar, ainda terei de cair até às mil vezes para se seguirem os abraços? Sim, parece que é essa a solução. Quero então ter os joelhos todos esmurrados, ver nascer no espelho mais uma ruga e deixar de pensar que há qualquer coisa que não bate certo.
Vou erguer a cabeça sem esquecer que há sempre qualquer coisa que deixei para trás em aberto e que somos todos escravos do que precisamos, tentando ser menos exigente, e lembrar-me que já houve tempos eu que eu tinha tudo não tendo quase nada. Vou admitir que o meu olhar tem razões que o coração não frequenta, tentando pôr para trás das costas o que já não interessa. Farei a noite apetecer e longe do tempo acabarei por dormir.
Aí, pode ser que alguém me abrace onde a solidão termina.
terça-feira, 17 de março de 2009
Em memória da Maria Fernanda
Parece que a Primavera está mesmo aí. (Até tenho medo de falar!) Às oito da manhã já consigo sair de casa com um casaco de mangas três quartos, o sol espreita por todo o lado, cheira a vento e terra quente, as pessoas sorriem e falam muito mais alto. A janela já está aberta todo o dia e a casa enche-se de burburinho.
Mais dia, menos dia já vou poder adoptar um manjerico, baptizá-lo, alimentá-lo e tratar dele como se de um filho se tratasse. Depois? É rezar para que a parva da Minaia não resolva matá-lo assim que lho entrego por uns meros quinze dias, deixando todas as recomendações escritas. Haja paciência!
segunda-feira, 16 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
O estranho caso de La Salet e os seus botões
Hoje ouvi dizer por aí, num qualquer cinema do norte que existimos para ver partir aqueles que amamos e só aí percebemos a importância que tiveram na nossa vida. A questão que se me colocou foi: "é mesmo necessário?". Não acredito.
Quem passa por nós vai marcando a cada dia que passa, seja ou não de forma positiva. Vai-nos oferecendo, dia após dia, um pedacinho de ensinamento, momentos agradáveis, desagradáveis e uma cota parte de inesquecíveis. Marca sempre, seja dentro do coração, à porta ou até no terraço.
Falou-se também do tempo. No caso em questão desse inimigo que seguia em sentido contrário, sendo comum numa única altura da vida. Ora, neste mundo em que vivemos, o tempo corre sempre no mesmo sentido mas, de facto, há uma única altura da vida em que nos encontramos: "o" dia, "o" ano, "o" sempre. E é esse o momento que tem de ser vivido até à exaustão, venha quando, quem ou o que vier.
É isto que me torna mais eu. É nisto que vou pensar quando soarem as doze badaladas e a Cinderela voltar a casa. Ao nada. À tábua rasa.
Deambular
Por que é que há quem não saiba desistir na altura certa continuando a deambular?
"Podes não chegar à lua mas tiraste os pés do chão." É. Deve ser por isto.
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Ele voltou!
Hoje o senhor das rastas voltou a cantar aqui na rua. Já não se senta na soleira da porta da frente porque resolveram abrir uma casa de chá, mas ainda assim não anda longe. Como é bom desligar a televisão, abrir a janela e ficar a ouvi-lo!
terça-feira, 10 de março de 2009
Dias de lucidez

Como acrescento ao post de ontem tenho também a dizer que odeio homens que decidem a sua vida da forma a que chamam independente e eu chamo egoísta, não ligam a pormenores, não sabem o que querem, têm memória de peixe e preferências absurdas.
Só me congratula saber que todos temos dias de lucidez.
Só me congratula saber que todos temos dias de lucidez.
segunda-feira, 9 de março de 2009
O dia de hoje

Dia nove de Março. Horrível.
Já foi dia de acidente, quase morte, assalto, fim e tudo o que se possa imaginar. Este ano teve de ser diferente: passei a tarde fechada e ainda que me tentem não há saídas. Tenho dito.
Hora H

Não gosto daqueles homens super queridos e meiguinhos que as amigas em alturas de menor lucidez resovem achar atraentes. Até esses na hora H fogem com o rabo à seringa porque pela primeira vez na vida suscitaram interesse em duas pessoas ao mesmo tempo. E são os piores: quando há envolvência não se imagina ao que se vai. Acha-se, erradamente, que a situação está controlada.
- Olá M., lembras-te de mim?
- Conheço a tua cara mas não sei bem de onde.
- Daqui mesmo, sou amiga da A.
- La Salet? Já me lembro! - enquanto o rosto enrubesce e o rabo volta a fugir... à seringa.
sábado, 7 de março de 2009
Obrigação

Sim, meu amor, está bem meu amor
eu sei que tu tens razão
- dizia-te eu, às vezes, para acabar
com a discussão...
- dizia-te eu, às vezes, para acabar
com a discussão...
E lá íamos vivendo,
entre dois copos e um bom colchão,
um futuro à nossa frente
e muito amor para mostrar a toda a gente.
Como era bem vivermos a dois
sem nos darmos mal
(uma canção estrangeira e um filme antigo
na televisão),
e uma noite tu disseste:
já dei p´ra ti meu... vou arrancar!
E lá fiquei eu, sozinho,
a conversar com os meus botões e a tentar
descobrir a causa
que nos levou a tal situação...
Já achei uma ideia que é bem capaz
de ser a solução:
Acho que nós passámos muito tempo
a misturar tripas com coração
e a verdade é bem diferente.
Para haver amor não pode haver o-bri-ga-ção.
Jorge Palma
quinta-feira, 5 de março de 2009
Edward Scissorhands
Era uma vez um castelo no topo de uma colina. Era uma vez um "menino" que possuía um carisma irresistível. Era uma vez uma menina que descobriu de onde vinha a neve.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Por trás de um grande homem...
Ainda não vivi muito, contando que os primeiros dez anos de vida pouco me ensinaram acerca do que não segue os padrões que nos impõem como convencionais. Nos cinco seguintes muni-me da mania que o sexo feminino comanda o masculino. Nestes últimos abdiquei da mania em prol da certeza.
Lia há uns anos uma crónica cor-de-rosa em que a narradora falava do seu casamento que tinha acabado de acontecer, sabendo ela que o conseguiria no dia em que decidiu que gostava da pessoa em causa. Porque as mulheres são assim mesmo: decidem o que querem fazer e conseguem-no apenas levando o outro lado a acreditar que está tudo nas suas mãos. “Fui eu que te escolhi”, dizia ela. É tão simples quanto aparenta, ainda que completamente absurdo para (quase) qualquer homem. E gosto de o respeitar, continua a dar margem de manobra.
Noutro dia fiquei feliz ao ouvir um senhor reconhecer esse domínio, ainda que não tenha o hábito de dizer qualquer coisa que valha a pena ouvir. Não por ser um burro qualquer. Talvez por ser demasiado inteligente e por isso mesmo estar a ficar louco. E sim, estava bêbedo.
Ao longo destes anos que em cima falei, fui observando com atenção esse estranho universo masculino. É vê-los a desfazerem-se em simpatias perante a mulher que magoaram, a baixarem os olhos no silêncio de quem sabe que perdeu a razão, a irem até ao fim do mundo enquanto enlouquecem porque percebem que sozinhos nunca serão iguais ou a procurarem em todas as mulheres um pedacinho daquela que por falta de tempo, habilidade ou vontade perderam, não percebendo que jamais a encontrarão em qualquer outra e que só estarão a perdê-la em cada mulher que procuram e não a ganhar um pedacinho dela. O perdão é possível, o esquecimento não.
E depois é vê-los a serem desmascarados. É maravilhoso ver uma mulher que não sabe nada da vida de um homem dar-lhe de tal forma a volta à cabeça que o obrigue a confessar algo que ela nem sequer fazia ideia que pudesse ter acontecido. É extraordinário. Acontece na vida real, não só nos filmes a que assistimos e que a personalidade das personagens é criada por um humano. Aconteceu ontem, tendo-me como testemunha interveniente.
Tenho plena consciência de que ao longo dos tempos que aí vêm ainda me vou deparar com muitas situações destas. Estarei cá com prazer para assistir a muitas, com pena a assistir a outras tantas. Espero apenas conseguir fazê-lo com naturalidade. É bom sinal.
Lia há uns anos uma crónica cor-de-rosa em que a narradora falava do seu casamento que tinha acabado de acontecer, sabendo ela que o conseguiria no dia em que decidiu que gostava da pessoa em causa. Porque as mulheres são assim mesmo: decidem o que querem fazer e conseguem-no apenas levando o outro lado a acreditar que está tudo nas suas mãos. “Fui eu que te escolhi”, dizia ela. É tão simples quanto aparenta, ainda que completamente absurdo para (quase) qualquer homem. E gosto de o respeitar, continua a dar margem de manobra.
Noutro dia fiquei feliz ao ouvir um senhor reconhecer esse domínio, ainda que não tenha o hábito de dizer qualquer coisa que valha a pena ouvir. Não por ser um burro qualquer. Talvez por ser demasiado inteligente e por isso mesmo estar a ficar louco. E sim, estava bêbedo.
Ao longo destes anos que em cima falei, fui observando com atenção esse estranho universo masculino. É vê-los a desfazerem-se em simpatias perante a mulher que magoaram, a baixarem os olhos no silêncio de quem sabe que perdeu a razão, a irem até ao fim do mundo enquanto enlouquecem porque percebem que sozinhos nunca serão iguais ou a procurarem em todas as mulheres um pedacinho daquela que por falta de tempo, habilidade ou vontade perderam, não percebendo que jamais a encontrarão em qualquer outra e que só estarão a perdê-la em cada mulher que procuram e não a ganhar um pedacinho dela. O perdão é possível, o esquecimento não.
E depois é vê-los a serem desmascarados. É maravilhoso ver uma mulher que não sabe nada da vida de um homem dar-lhe de tal forma a volta à cabeça que o obrigue a confessar algo que ela nem sequer fazia ideia que pudesse ter acontecido. É extraordinário. Acontece na vida real, não só nos filmes a que assistimos e que a personalidade das personagens é criada por um humano. Aconteceu ontem, tendo-me como testemunha interveniente.
Tenho plena consciência de que ao longo dos tempos que aí vêm ainda me vou deparar com muitas situações destas. Estarei cá com prazer para assistir a muitas, com pena a assistir a outras tantas. Espero apenas conseguir fazê-lo com naturalidade. É bom sinal.
Subscrever:
Comentários (Atom)





