Querido Jorge, tens o dom da escrita que eu adorava ter. O dom de pôr em palavras aquilo que eu adorava poder extrair e traduzir.
É sobretudo em dias que ando por aí sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido que te ouço com mais atenção. Pões-me o braço no ombro porque preciso de alguém e dizes-me ao ouvido para tirar a mão do queixo e não pensar mais nisso, que o que lá vai já deu o que tinha a dar. Mas não é fácil, sabes? É que na terra dos sonhos posso ser quem quiser, ninguém me leva a mal. Aqui não é bem assim. No mundo real tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar, porque já vivi o suficiente para ter quem me mostrasse a origem do bem e o reverso, assim como que o fato de marinheiro não chega para se entender o mar. E perante isto, o que penso?
Talvez que enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Ou que para crescer preciso de correr na lama e voar outra vez. Mas se já caí e voltei a voar, ainda terei de cair até às mil vezes para se seguirem os abraços? Sim, parece que é essa a solução. Quero então ter os joelhos todos esmurrados, ver nascer no espelho mais uma ruga e deixar de pensar que há qualquer coisa que não bate certo.
Vou erguer a cabeça sem esquecer que há sempre qualquer coisa que deixei para trás em aberto e que somos todos escravos do que precisamos, tentando ser menos exigente, e lembrar-me que já houve tempos eu que eu tinha tudo não tendo quase nada. Vou admitir que o meu olhar tem razões que o coração não frequenta, tentando pôr para trás das costas o que já não interessa. Farei a noite apetecer e longe do tempo acabarei por dormir.
Aí, pode ser que alguém me abrace onde a solidão termina.
É sobretudo em dias que ando por aí sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido que te ouço com mais atenção. Pões-me o braço no ombro porque preciso de alguém e dizes-me ao ouvido para tirar a mão do queixo e não pensar mais nisso, que o que lá vai já deu o que tinha a dar. Mas não é fácil, sabes? É que na terra dos sonhos posso ser quem quiser, ninguém me leva a mal. Aqui não é bem assim. No mundo real tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar, porque já vivi o suficiente para ter quem me mostrasse a origem do bem e o reverso, assim como que o fato de marinheiro não chega para se entender o mar. E perante isto, o que penso?
Talvez que enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. Ou que para crescer preciso de correr na lama e voar outra vez. Mas se já caí e voltei a voar, ainda terei de cair até às mil vezes para se seguirem os abraços? Sim, parece que é essa a solução. Quero então ter os joelhos todos esmurrados, ver nascer no espelho mais uma ruga e deixar de pensar que há qualquer coisa que não bate certo.
Vou erguer a cabeça sem esquecer que há sempre qualquer coisa que deixei para trás em aberto e que somos todos escravos do que precisamos, tentando ser menos exigente, e lembrar-me que já houve tempos eu que eu tinha tudo não tendo quase nada. Vou admitir que o meu olhar tem razões que o coração não frequenta, tentando pôr para trás das costas o que já não interessa. Farei a noite apetecer e longe do tempo acabarei por dormir.
Aí, pode ser que alguém me abrace onde a solidão termina.

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