Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fevereiro mal-me-quer


Fevereiro é por excelência o mês da melancolia. Não sei se é do frio, se é do Carnaval que nos incentiva a usar máscaras. Ou até dos corações que pululam em todo o lado, iludindo-nos com o seu tom de fogo ardente, colóide corrente que nos inunda.
Sei que em pouco tempo, há muito a acontecer. Muitas mágoas regressivas, muita desarrumação sentimental, muitas nuvens escuras que nos toldam a alma e que culminam em muito desleixo. 
Este é um mês negro, uma página do calendário que quero virar rapidamente, para que as flores de março me entrem pela porta e me enfeitem a casa, finalmente arrumada.

Sal em mim


Sabes que a vida tem vários ciclos, quando consegues ouvir uma música esquecida no tempo como se fosse a primeira vez. Quando a sentes com a mesma intensidade. Quando as palavras te cabem tão bem como couberam há anos. Quando as lágrimas que choras têm o mesmo sal.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Renascimento


Não sei se é porque as lágrimas teimam em saltar, se porque te ouvi depois de tantos meses, ou simplesmente porque teimo em almejar o impossível, mas a verdade é que tive saudades disto. De ouvir vozes que trespassam o coração, enquanto a cabeça percorre o mundo. De sentir que uma dor circunstancial me dilacera o coração, mesmo que a cabeça me mostre o ridículo. Da sensação de poder mostrar, sem vergonha, que sou incompreendida. Da ausência de limites. Da transcrição sensorial integral, inalcançável à maioria. Daquela transparência aqui transcrita, tão opaca quando sentida por outros.
Aqui, neste ambiente de luz quente e fria, de temperatura amena, dependente da temperatura dos corpos que o habitam, nada mais ouço do que passos em volta. Que tinha esquecido, na apatia da quietude.