Não sei se é porque as lágrimas teimam em saltar, se porque te ouvi depois de tantos meses, ou simplesmente porque teimo em almejar o impossível, mas a verdade é que tive saudades disto. De ouvir vozes que trespassam o coração, enquanto a cabeça percorre o mundo. De sentir que uma dor circunstancial me dilacera o coração, mesmo que a cabeça me mostre o ridículo. Da sensação de poder mostrar, sem vergonha, que sou incompreendida. Da ausência de limites. Da transcrição sensorial integral, inalcançável à maioria. Daquela transparência aqui transcrita, tão opaca quando sentida por outros.
Aqui, neste ambiente de luz quente e fria, de temperatura amena, dependente da temperatura dos corpos que o habitam, nada mais ouço do que passos em volta. Que tinha esquecido, na apatia da quietude.

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