Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quarta-feira, 4 de março de 2009

Por trás de um grande homem...


Ainda não vivi muito, contando que os primeiros dez anos de vida pouco me ensinaram acerca do que não segue os padrões que nos impõem como convencionais. Nos cinco seguintes muni-me da mania que o sexo feminino comanda o masculino. Nestes últimos abdiquei da mania em prol da certeza.
Lia há uns anos uma crónica cor-de-rosa em que a narradora falava do seu casamento que tinha acabado de acontecer, sabendo ela que o conseguiria no dia em que decidiu que gostava da pessoa em causa. Porque as mulheres são assim mesmo: decidem o que querem fazer e conseguem-no apenas levando o outro lado a acreditar que está tudo nas suas mãos. “Fui eu que te escolhi”, dizia ela. É tão simples quanto aparenta, ainda que completamente absurdo para (quase) qualquer homem. E gosto de o respeitar, continua a dar margem de manobra.
Noutro dia fiquei feliz ao ouvir um senhor reconhecer esse domínio, ainda que não tenha o hábito de dizer qualquer coisa que valha a pena ouvir. Não por ser um burro qualquer. Talvez por ser demasiado inteligente e por isso mesmo estar a ficar louco. E sim, estava bêbedo.
Ao longo destes anos que em cima falei, fui observando com atenção esse estranho universo masculino. É vê-los a desfazerem-se em simpatias perante a mulher que magoaram, a baixarem os olhos no silêncio de quem sabe que perdeu a razão, a irem até ao fim do mundo enquanto enlouquecem porque percebem que sozinhos nunca serão iguais ou a procurarem em todas as mulheres um pedacinho daquela que por falta de tempo, habilidade ou vontade perderam, não percebendo que jamais a encontrarão em qualquer outra e que só estarão a perdê-la em cada mulher que procuram e não a ganhar um pedacinho dela. O perdão é possível, o esquecimento não.
E depois é vê-los a serem desmascarados. É maravilhoso ver uma mulher que não sabe nada da vida de um homem dar-lhe de tal forma a volta à cabeça que o obrigue a confessar algo que ela nem sequer fazia ideia que pudesse ter acontecido. É extraordinário. Acontece na vida real, não só nos filmes a que assistimos e que a personalidade das personagens é criada por um humano. Aconteceu ontem, tendo-me como testemunha interveniente.
Tenho plena consciência de que ao longo dos tempos que aí vêm ainda me vou deparar com muitas situações destas. Estarei cá com prazer para assistir a muitas, com pena a assistir a outras tantas. Espero apenas conseguir fazê-lo com naturalidade. É bom sinal.

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