Como me atrevi a contar no sábado à noite, faz hoje 17 anos que foram chamar o meu pai e o vi partir a correr. Que cheguei a casa e a minha mãe estava deitada com um ar abatido, enquanto tentava à força dar-lhe uma bolachinha. Há dezassete anos estava sentada no colo do meu avô enquanto víamos televisão. O telefone tocou e o avô disse que já tinha uma irmã. E à noite, pela primeira vez, a mãe não estava em casa para me adormecer, só o pai naquele quarto de luz amarela.
De manhã tratou de mim, vestiu-me a camisola do ursinho que usava por casa, em vez da bonitinha que a mãe deixara pronta (homens!), pôs-me um ramo de flores na mão e levou-me ao hospital.
Foi naquele bercinho branco que a vi pela primeira vez: um ratinho pequenino, de cara vermelha que a cegonha trouxe com um ovo de páscoa e uma Meggie. E riu-se para mim. Ou eu achei que sim e assim anunciei.
Vieram muitos ciúmes, muitas zangas, mas o que marcou e tenho a certeza que continuará a marcar é a cumplicidade que nos une. É por isso que hoje escrevo para ti, pedacinho de La Salet. Parabéns!

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