Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quarta-feira, 7 de julho de 2010

Das fases e do tempo




Tudo na vida tem um tempo. As primeiras experiências, os primeiros tremores nas pernas, os primeiros arrepios e os primeiros batimentos cardíacos descompassados. As primeiras zangas, as primeiras discussões e os primeiros desgostos. E nestes, parece que o mundo vai desabar. Abrimos a torneira do choro sem saber como fechá-la, criamos um nó no estômago que não nos deixa comer, passamos noites em claro e não há quem nos arranque uma gargalhada sentida. Imaginamos tudo o que a pessoa pode estar a fazer, todas as pessoas em quem pode estar interessada e todos os bons momentos que pode estar a viver, enquanto nós batemos no fundo. Até ao dia em que tudo acalma.
Com o tempo, os desgostos deixam de ter a mesma intensidade. O fim de uma relação deixa de parecer o fim de tudo. É apenas o início de uma nova fase. E se nos primeiros dois ou três dias ainda caímos no erro de procurar saber da pessoa, seja de que forma for, nos dias seguintes já sabemos como evitar fazê-lo. E pouco depois já nem precisamos de evitar, simplesmente porque deixamos de ter vontade. A pessoa pode andar com quem quiser, à hora que quiser, que isso já não nos diz respeito. Com a maturidade, o poder de encaixe aumenta. Já sabemos melhor como é a vida e o ser humano em particular. E somos todos iguais.
Assim sendo, não há nada como libertarmo-nos da raiva e curar as mágoas. Não é assim tão difícil, quando temos o coração e a mente abertos. Passo a passo, dia após dia, tudo se desvanece no tempo. Passou o tempo de sofrer. Chegou a altura de olhar para o passado com carinho, recordá-lo como um conjunto de momentos felizes e seguir em frente. De consciência tranquila e com o sentimento de dever cumprido.

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