Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




sábado, 6 de junho de 2009

Uma "rica", por favor!


Hoje apetecia-me ter outra vez seis anos, ver a minha mãe sair apressada numa tarde alaranjada que seria sinónimo de brincadeira até à exaustão e gritar-lhe enquanto o barulho dos saltos ecoava pela casa e o perfume se espalhava:

- Mãe traz uma rica.
- O quê?
- Hoje pode ser pipocas. Mas não tragas normais, traz de morango ou chocolate.

E lá chegava ela com um pacote de pipocas para cada uma, que a senhora do bar lhe tinha guardado porque não tivera tempo de lá ir a horas e que só podíamos encetar depois de jantar. E o nosso dia estava feito, porque o pai tinha trazido um guarda-chuva de chocolate e tínhamos autorização para também comer, o que não acontecia sempre. Era ver a alegria com que nos deliciávamos com aqueles crocantes pedacinhos de magia, que nos faziam tão felizes. Não tínhamos medo da incerteza, sabíamos que no dia seguinte teríamos uma outra rica se nos portássemos bem e era isso que interessava: o justo quadradinho da ingenuidade adocicada, que se derretia nas mãos qual coração de manteiga e nos desenhava o sorriso inevitavelmente puro.

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