Um dia quero ter um filho chamado Luís Bernardo. Quero que seja o primeiro, porque um guerreiro tem de vir antes, para proteger os outros. De pescoço magro, negros olhos grandes e pestanudos, espero vê-lo a correr pelo campo e a chegar ao pé de mim com os primeiros arranhões que esta vida nos faz, com um abraço quente e genuíno, daqueles que nos enchem a alma e mesmo sendo fugazes parecem intermináveis. Quero arranjar-lhe a mochila de rapazinho no primeiro dia de escola e preparar a lancheira para a tarde, vê-lo da janela a andar de bicicleta, acompanhá-lo em todas as fases de mudança. Espero que ele experimente um pouco de tudo e saiba dizer não na altura certa, que tenha todas as oportunidades que tive e mais algumas. Quero que ele me diga que quer conhecer o mundo e tenha espírito aventureiro para o saber fazer, que namore com quem quiser tendo princípios com todas elas, que faça as loucuras saudáveis e que sofra os seus desgostos que o ajudarão a crescer, sabendo que terá sempre um colo à sua espera, tenha dez anos ou cinquenta. Espero vê-lo a escolher uma profissão que o realize, mesmo que todos lhe digam que não é a certa para ele. Terá oportunidade de errar, voltar atrás e acertar. Não ambiciono que digam que ele é alguém, porque já o será. E se não puder ser nada disto, que nós sonhamos mas cada um traça o seu próprio rumo, que seja pelo menos Luís Bernardo. Sem fins trágicos, que esses pertencem aos livros.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
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