Eis que ontem voltámos a acordar quando o dia estava longe de o fazer e cuidei de ti como da primeira vez, mesmo sabendo que mais parecia a última. Tenho este sentido de proteccionismo sobre ti, como sei que só terei com mais alguém daqui a muitos anos, quando a maternidade se apropriar de mim. Tinhas os olhos colados de sono, o mimo de quem sabe que a boa vida vai acabar e a inércia de quem quer ficar.
Deitaste a minha cabeça no teu colo uma última vez, viste no calendário que afinal não falta assim tanto para o nosso Natal, que será ainda melhor do que qualquer outro, mesmo que o trabalho nos consuma. Teremos tempo para tudo o que a época nos propicia. Teremos o nosso tempo, eu prometo.
Dirigimo-nos para a porta vagarosamente, cheios de abraços, mãos apertadas, beijos e só mais um, e agora mais outro. E só o último, para recordar! E assim foste... Assim te acompanhei enquanto pude, te disse um último adeus, te mostrei que te amava e que não é uma simples distância que nos vai separar. Corri para a casa de banho e de lá saí apenas quando me disseste que ias partir. Voltei para onde te disse adeus da primeira vez e vi o teu avião desaparecer na escuridão. Até já, no telemóvel. Até daqui a tanto tempo, ao meu lado.
(Por mais vezes que partas, não me cansarei de escrever.)


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