Hoje, enquanto deambulava por aí, em locais de cheiro a natal e castanhas assadas, entre nuvens de fumo, luzes a piscar e ruído de sinos fui-me questionando acerca do futuro. Ao longo do tempo, dei muitas coisas como incertas e muitas como certas. Actualmente, as que dei como incertas são as mais certas. As que dei como certas são, provavelmente, as mais incertas. Estabeleci sempre prioridades e quando resolvi mudar-lhes a posição hierárquica, reconheço hoje, errei. Andei muitas vezes com um sorriso verdadeiro nos lábios, muitas com uma tromba de meio metro e tantas com um sorriso que tentava aproximar do meu real. Já dei voltas e voltas ao meu pensamento que nunca tem parança, martirizei-me vezes sem conta e finalmente consegui deixar-me disso. Voltei a cansar-me todos os dias para poder dormir em paz. Agucei o sexto sentido e outros que não são para aqui chamados mas que não deixam de ter importância e ganhei consciência do que valho. Sei que todos os dias sou enganada, mas já não me importo com isso. As coisas têm de acontecer e eu não posso ser diferente. Já não me preocupo em abdicar do que quero nem em sacrificar-me por quem não merece. Dou as oportunidades que tenho de dar, quando há uma falha corto o mal pela raiz. Quando há falta de sinceridade e segredos absurdos finjo sempre ignorância, até ao dia em que mostro o que sei. E essa é a última vez que se fala dos assuntos. Parece que vou renascendo em cada erro. E que dentro de mim nasce mais um pedacinho de força bruta e intransigente. Receio até tornar-me estupidamente fria, mas está na altura de olhar para o meu umbigo.
Habituei-me a estar sozinha, cada vez mais tenho consciência disso. E hoje sinto-me bem na minha espécie de solidão. Não sei o que o futuro me trará, mas sei que o enfrentarei mais positivamente. Ajuda-me ter deixado de acreditar na eternidade das coisas, na ilusão da mudança, nos inquebráveis valores morais, no significado dos pequenos actos, na sobrevalorização das boas atitudes, na confiança inabalável, na verdade inquestionável, na mentira sem razão aparente, na veracidade da amizade, na insignificância dos conhecimentos e no amor incondicional. Já nada disto existe para mim. Agora resta-me esperar. Qualquer resolução que tome a partir de hoje, será uma resolução de ano novo. Afinal, já dizem os antigos: ano novo, vida nova!


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