Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Laços


Com o passar do tempo, deixei de coleccionar peças e dediquei-me a coleccionar momentos. No natal, nos anos ou em qualquer outra data em que é suposto receber presentes, eu não me importo nada de abdicar deles em prol de bons momentos. Não estou aqui armada em boa samaritana nem me muni de uma boa dose de hipocrisia para escrever este post. Nem tampouco estou a afirmar que odeio receber presentes, afinal quem não gosta? Mas não é a matéria que me faz feliz.
Há já alguns anos que não tenho um aniversário feliz. É um dia como a passagem de ano, em que parece que é obrigatório divertirmo-nos e irradiarmos alegria. Eu simplesmente não consigo, por mais que me encham de presentes e frases bonitas, pelo simples facto de nunca estar rodeada de toda a gente que me preenche e faz de mim a pessoa que sou. É o namorado que não está, os amigos que estão quase todos em exames e não podem perder um minuto de estudo... Um enormidade de situações! E esses dias têm sido soturnos. De grandes conversas, grandes reflexões, dos banais "obrigada" a todos os que se lembram, mas nem um momento de alegria. Mesmo que a família se esforce até mais não e ainda haja uma ou duas pessoas que realmente marquem presença. É por isso que nesse horrível dia que tira cor à Primavera eu trocava todos os presente que tenho tido (que não são tão poucos assim), por uma casa cheia de gente importante. Não faz sentido encher a casa só por encher.
A vida obrigou-me a crescer e a saborear os pequenos prazeres quotidianos. Afastou-me completamente do supérfluo e aproximou-me claramente da vontade exponencialmente crescente de criar laços importantes. Afastou-me dos que pouco interessam e ensinou-me o prazer da dedicação. Mostrou-me que há três ou quatro pessoas com quem devo partilhar as alegrias e amarguras, porque estarão lá sempre para me transportar ao colo quando precisar. Ensinou-me a confiar profundamente em quem completa a minha metade, porque só podemos partilhar a vida com quem nos conhece infinitamente, com todos os podres que precisa de saber.
Hoje sei que não quero tops sensação, perfumes primaveris ou brincos compridos. Quero ser coleccionadora de bilhetes, palavras, festas na cabeça, abraços quentes, cheiros guardados na imaginação, presenças importantes, noites apaixonadas, telefonemas empolgantes, álbuns cheios de sorrisos e calendários de esperança.



Podes vir amanhã acreditar no mesmo Deus.
Podes vir amanhã, se queres vir amanhã, podes vir amanhã.

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