É sempre bom reencontrar amigos. Mesmo que não os vejamos há menos de um mês, há alturas em que o coração aquece, porque a memória se aviva. Foi o que me aconteceu contigo, quando te encontrei noutro dia. Talvez por te ver numa situação tão parecida com outras antigas, lembrei-me de todo o apoio que me deste em diversas situações em que poucos se lembraram de mim como tu. De todos os abraços que me deste na cumplicidade de noites normais, das lágrimas que uma única vez me viste escorregar pela cara, dos telefonemas que me fizeste para que preparasse o coração e trabalhasse o espíritio, das viagens em que partilhámos o lugar e das conversas que tivemos em cima da minha cama, no dia em que definitivamente arrumei as malas e mudei de vida, numa decisão que tanto me custou e só foi possível por ter ao meu lado pessoas como tu.
No dia-a-dia lembramo-nos das pessoas e sabemos que gostamos delas e, por vezes, nem sabemos ao certo porquê. Hoje lembrei-me da gratidão que te tenho. E voltei a reviver aquelas noites em que sozinhas deambulámos por aí, em relâmpagos de loucura e alegria, só possíveis quando a confiança é máxima e não há medo de julgamentos perigosos.
Hoje gostava de estar contigo para te acolher como tantas vezes já fizeste comigo, numa dádiva desprovida de interesse. Sei o tamanho do nó que te ata o estômago e conheço a náusea que se apoderou de ti. Gostava que me lesses, para te poder aquecer um bocadinho a alma, libertando-te desses tremeliques que a vida nos dá. Mesmo que nem falemos, garanto-te que não estarás só.
Quando o sol chegou aos subúrbios da cidade
Anunciando mais um dia igual aos outros
Ele acordou e pressentiu
Que hoje o seu dia ia ser diferente

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