Ao longo da vida todos nós erramos. Uns mais, outros menos. Uns prejudicando-se a si próprios, outros prejudicando os outros. Por vezes as duas coisas.
Quando a vida se aproxima a passos largos do fim e se tem consciência disso, começa-se a fazer uma revisão do que foi a vida que se levou. E num momento de fragilidade, que não é mais do que isso, pede-se desculpa a quem mais magoámos. O problema é que a mágoa pode ser grande de mais. Os erros podem ser graves de mais. Deve o outro ser capaz de perdoar porque passou muito tempo? Deve perdoar pela fragilidade de quem o atingiu? Será a ambiguidade do sentir o perdão por si só? Eu acredito no arrependimento. Mas também acredito que o arrependimento possa surgir da fraqueza. E da gratidão. E um pedido de desculpa pode não ser mais do que uma forma de se imortalizar. Mesmo sabendo que depois da morte somos imortais.

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