Tenho andado a repensar seriamente a minha vida. Mas se a memória me permite recordar datas e flashes, não me permite recordar todas as emoções. Nem todos os momentos. E foi o que hoje tentei fazer, com a ajuda de e-mails antigos. Não reli todos, que não há tempo para isso e há uns que sabemos quase insignificantes. Reli os que percebi que importavam.
Alegrou-me ver que cresci. Entristeceu-me ver como fui. Num ano de receios e fragilidade, vejo agora que os meus medos me fizeram expôr em demasia. Numa altura em que te vias entregue às feras pela primeira vez e eu receava a minha própria entrega, abri-te o coração desmesuradamente. Mal eu sabia os conhecimentos que travavas e que, esses sim, poderão ser para a vida. Hoje sei que errei e lamento tê-lo feito. Talvez tudo tivesse sido bem mais fácil e pudessemos ter avançado evitando situações dignas de verdadeiro constrangimento. Prefiro omitir a palavra sofrimento.
Passou-se um ano e chegou o teu desespero. Não reli as conversas, bastaram-me os e-mails. Diferentes dos anteriores, sem dúvida. Avista-se já outro tipo de maturidade. E chegou a ruptura. Passaram-se os meses, as frases suspeitas (e as fases também), as mensagens e uma ou outra conversa esporádica. O primeiro avistar ao longe, a primeira palavra, o primeiro suster de respiração. A primeira noite. E voltámos ao ciclo vicioso.
Finalmente conseguimos descobrir uma vida diferente juntos. Com todas as dificuldades inerentes à nossa condição, mas feliz. Era bom de ver tudo o que escrevíamos numa tentativa de diminuir a distância. As conversas que tínhamos diariamente e as mensagens que trocávamos. Lutávamos para estar juntos e para estar bem. Havia compreensão de parte a parte e atitudes que tanto nos enriqueceram.
Passou já bastante tempo sobre isso. Tempo que é preferível que fique no segredo dos Deuses, porque a vida que cada um leva na intimidade não interessa a mais ninguém que não a quem a compartilha. E acredito que incompletos conseguimos ser felizes. Hoje, que faço uma revisão de tudo, consigo ver o que ganhámos e o que perdemos. Ganhámos muito na cumplicidade, não há dúvida. Mas o que ganhámos em cumplicidade, perdemos em vontade. Ganhámos a vontade de diminuir a distância física e perdemos a de diminuir a espiritual. Estamos em pólos completamente opostos. E o problema dos pólos opostos está, como se sabe, em atraírem-se.
A vida não pode ser feita de recordações. Mas a verdade é que, se há capacidade que tenho, é a de recordar. Talvez a memória curta fosse uma boa solução para o meu problema. Não sei se é problema que já tenha cura, ou pelo menos tratamento, mas hei-de investigar.
Eu procuro soluções dentro de mim. Já as procurei fora. Umas satisfizeram-me, outras não. Mas nenhuma delas chegou, daí cair sempre em tentação. Sei que neste momento a decisão partirá de mim e que será plenamente consciente, o que será por si só um grande passo. Fui aprendendo o que quero e o que não quero e agora, conscientemente, consigo dizer que não é esta a vida que pretendo. O tempo, esse bom conselheiro, saberá dizer-me o que fazer.
We can always look back at what we did
All these memories of you and me baby
But right now it's you and me forever girl
And you know we could do better than anything that we did
You know that you and me, we could do anything
You and me together, we could do anything


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