Por vezes todas as caras são de riso. Os dias sabem a sol e as conversas fluem descontraidamente, embaladas por uma mini e um cigarro. Nas pausas meditativas, há uma mão inconsciente que brinca com uma casca de tremoço, talvez sugestionada pela alegria da cor. Sai uma tosta a fumegar, acompanhando o dia que se mostrou sempre tão quente. Tal como o coração que esqueceu Novembro, quando este se mostrou repentinamente mais frio.
Juntam-se outros numa procura partilhada de pequenos momentos de lazer. O ambiente envolve-nos numa teia crescente, que só sabemos onde começou. Foi na envolvência do olhar. Na troca silenciosa de palavras acolhedoras e reconfortantes, aquelas que queremos guardar na caixinha secreta do fundo do armário. E eles falam à nossa volta, contando-nos como se vivia há vinte anos atrás. E nós rimos de tudo como só se ri quem tem o coração aconchegado.
O tempo passa, o sol vai-se pondo e os óculos vão subindo até à cabeça. É o olhar que vemos por ora. É esse que sorri. É que há dias em que até os olhos são de riso.

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