Confessa-me um amigo meu que todos os homens dão conversa a uma mulher que se meta com eles. Quer sejam comprometidos, quer não, estando ou não apaixonados. Darão sempre conversa até ao fim. Mesmo que não queiram nada com a pessoa em causa. Diz-me ele que já o fez enquanto namorava com a actual namorada e por mais do que uma vez. Mesmo tendo a certeza que nunca teria nada com as pessoas em causa.
A verdade é que nem os homens nem as mulheres são santos. E felizmente as mulheres já se sentem à vontade para agir como eles. Andam a deixar os falsos pudores para trás e abrir o cinto de castidade. Já não têm receio de olhar para o lado na rua, de meter conversa com um estranho interessante nem tampouco de terem uma aventura casual que não mexe sequer com sentimentos ou consciência.
Só que as mulheres têm uma perícia que os homens não têm. Conhecem o significado de inteligência emocional e, com isso, aprendem a ser dissimuladas. Elas também traem e também têm conversas suspeitas com pessoas por quem não estão apaixonadas. E também são carnais. Apenas têm a vantagem de o conseguirem esconder, fazendo tudo e mais alguma coisa sem que se suspeite. Afinal qual de nós nunca teve uma paixão platónica que só não passou disso porque não quisemos perder o encantamento? Qual de nós nunca teve uma noite escaldante que só soube quem nós quisessemos que soubesse? Uma daquelas aventuras que não interessam a mais ninguém, mas que tão bem fazem à auto-estima e nos ajudam a viver melhor. E no dia seguinte, volta-se à vida normal, sem esperar uma mensagem ou um telefonema (que muitas vezes até vem, a contragosto) e sem qualquer ressentimento.
O grande problema destes affairs é mesmo a possibilidade eminente de um dos lados manter o interesse ou aumentá-lo, transformando-o em paixão. E acontece muitas vezes, mesmo com as condições definidas à partida. Naturalmente nenhuma das partes sai em vantagem, já que uma sai magoada e a outra culpada. Mas o animal que habita em nós é assim mesmo e o melhor a fazer é partir para outra, evitando futuras desilusões.
Parece-me, portanto, que está na altura de deixar de culpar o sexo masculino pelas paixões platónicas e desejos carnais que têm. Há que assumir de uma vez que esse defeito é geral na raça humana e saber lidar com ele. Agora, numa relação, o que se pede acima de tudo é respeito. Se se considera que alimentar diálogos quase inconsequentes não é desrespeitar, há que defini-lo a priori e aí já parte do outro aceitar ou não. Ou então que se aprenda a fazer as coisas em condições para que ninguém descubra, o que é uma grande arte. Embora na mulher seja um dom natural. Mentir, tentando negar o evidente, é que não.
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
just for an evening
When we will make it,
our passionate pictures
You and me twist up;
secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends


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