Hoje sonhei contigo. Sonhei que o frio cortante nos obrigava a vestir casacos de peles ou apenas outra pele. Eu, num casaco entre o castanho e o verde tropa, acompanhava-te na tua digressão aos dias cinzentos e soturnos. Revia todo o pesadelo passado, o meu estômago dava um nó e ia subindo, lentamente, aumentando a agonia.
E quando acordei tinha um peso dentro de mim. Não era o dia de ontem o mais presente, mas sim dias há muito perdidos no tempo. Os dias de sol passados no jardim, entre conversas sérias e beijos quase inocentes. Nessa altura havia tantos dias soalheiros. Para onde terão ido? Os lanches a dois, com promessas eternas. Os primeiros jantares românticos em que tu aparecias com um ramo de flores e eu, por dentro, explodia de felicidade. Os dias em que me esperavas na porta da escola e sentia que me amavas incondicionalmente só pelo simples facto de lá estares.
Depois veio a idade adulta e todas as responsabilidades que acarreta. Veio a distância que não foi só física. Veio a vontade de viver e sentir tudo. De todas as maneiras. E a nossa inocência foi-se.
Tantas aventuras, tantas experiências passíveis ou não de serem contadas, tanta loucura. E um dia poderemos dizer que soubemos o que foi viver. E o que foi amar. Se ainda amamos ou não, se somos ou não felizes, talvez saibamos nesse dia. Ou noutro qualquer.

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