Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma flor por um beijo? Um beijo por uma flor?


Quando era pequena, em tardes de sol, as gémeas levavam-me a passear. Íamos ao rio molhar os pés, passávamos na fonte a beber água quando o calor apertava, apanhávamos pampilhos com os quais fazia colares e pulseiras, provávamos amoras sumarentas e quentes e, contornando as abelhas que por lá pairavam, apanhávamos rosas silvestres. Daquelas que só nascem em encostas. E cheirava-as até casa. Aquele perfume fresco e intenso deliciava-me. Nem me importava com os espinhos pequeninos. Cheguei ao ponto de pedir à minha mãe a receita para fazer perfume, numa tentativa de eu própria poder ter aquele cheiro. Depois de inúmeras tentativas falhadas, com cheiro a flores murchas e álcool, optei por desistir. E, talvez porque cresci e os passeios acabaram, pouco me voltei a lembrar daquelas flores.
Até ao outro dia. Quando naquela manhã de queima que vai ficar para a história pelo número de flores que me apanhaste, me deste uma rosa silvestre, nem podia acreditar. Ainda caíste no erro de te picar ao tentar apanhá-la. Menino. Vê-se bem que não tiveste o prazer de as possuir antes.
Trouxeste-me à memória lembranças esquecidas. E assim se adaptou a história. As rosas da criança são as mesmas da mulher. Os cenários são diferentes, tal como os intervenientes. A cena idílica repete-se. Obrigada.

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