
Há dias bons e dias maus. Dias em que a felicidade se nos apresenta de manhã com um sorriso de “bom dia” e dias em que a toda a hora a tristeza nos deseja, ainda que ironicamente, uma boa noite.
Nem os bons dias são só positivos, nem os maus dias só negativos. Os bons dias não permitem que nos alegremos com as pequenas coisas dos menos bons; os maus, por sua vez, levam-nos a dar importância às pequenas coisas que abundam no dia-a-dia e, por distracção, insensibilidade ou qualquer outra coisa, tão ao lado nos passam.
E é num dia menos bom que vos falo. Por quê menos bom e não mau? Porque já tive bem piores, que me levaram a poder apreciar um momento de paz na esplanada em que me encontro.
Penso. A vida muda constantemente. É como se um vento soprasse indicando o caminho a seguir. Há precisamente um ano achava que tinha o que precisava para encarar a vida com ligeireza e um sorriso nos lábios: estava a passar, muito provavelmente, a melhor fase da minha vida. Esperava-me uma temporada que humildemente posso apelidar de brilhante. Por muitas expectativas que tivesse em relação à tão ansiada viagem de finalistas, nunca pude imaginar algo assim.
Estarei a ser ridícula ao falar no nascer do dia, já que nunca soube o que isso era. A diante! O dia nascia (pelo menos dentro de mim) resplandecente. Era sempre sinónimo da maior alegria do mundo. Cheirava a mar, a marroquinos (Oh Deus!), a férias. A flores, hambúrgueres e cloro. Nas ruas via alegria e descontracção. As pessoas calçavam chinelos de dedo e sorriam. Comiam chupa-chupas e compravam t-shirts com mensagens divertidas e imagens elucidativas. Negociavam e brincavam. Saboreavam gelados e davam as mãos, cantavam e usavam chapéus.
Todos os dias me sentava a ver o mar. Falávamos sobre nós, os nossos sonhos e projectos. Tirávamos fotos e ríamos: estávamos bem. Fazíamos promessas estúpidas aos olhos de outros, mas com tanto significado que ainda hoje as tenciono cumprir. E da mesma forma que não víamos onde o mar acabava, não víamos o fim de tantas outras coisas. Quando se está bem conhece-se o significado de “fim”?
A noite chegava. Com ela o cheiro da sala de jantar e do gelado de morango. O cheiro do champô e as risadas que vinham de todo o lado. As esperas dos mais ansiosos e o perfume do frasco vermelho. As luzes que nos cegavam e a espuma que nos atingia. As tequilas e os shoarmas. As conversas e o regresso à música, enquanto entoávamos “Love don’t let me go”.
Hoje tudo não passa de recordações, da vontade que o tempo volte para trás, de orações que nos tragam confiança. Que possamos viver tudo de novo e mudar o que não queríamos que tivesse acontecido, o que não faz sentido. Apetece diminuir a distância, abraçar e murmurar. Amar, amar, amar. Mas tudo é estranho.
Como alguém disse, foi como um sopro estranho: aconteceu.
(As pessoas continuam a falar e rir à minha volta. Parecem tão felizes! Também eu o faço. Mas a vontade não é a mesma. Foi o sentido que mudou.)
Nem os bons dias são só positivos, nem os maus dias só negativos. Os bons dias não permitem que nos alegremos com as pequenas coisas dos menos bons; os maus, por sua vez, levam-nos a dar importância às pequenas coisas que abundam no dia-a-dia e, por distracção, insensibilidade ou qualquer outra coisa, tão ao lado nos passam.
E é num dia menos bom que vos falo. Por quê menos bom e não mau? Porque já tive bem piores, que me levaram a poder apreciar um momento de paz na esplanada em que me encontro.
Penso. A vida muda constantemente. É como se um vento soprasse indicando o caminho a seguir. Há precisamente um ano achava que tinha o que precisava para encarar a vida com ligeireza e um sorriso nos lábios: estava a passar, muito provavelmente, a melhor fase da minha vida. Esperava-me uma temporada que humildemente posso apelidar de brilhante. Por muitas expectativas que tivesse em relação à tão ansiada viagem de finalistas, nunca pude imaginar algo assim.
Estarei a ser ridícula ao falar no nascer do dia, já que nunca soube o que isso era. A diante! O dia nascia (pelo menos dentro de mim) resplandecente. Era sempre sinónimo da maior alegria do mundo. Cheirava a mar, a marroquinos (Oh Deus!), a férias. A flores, hambúrgueres e cloro. Nas ruas via alegria e descontracção. As pessoas calçavam chinelos de dedo e sorriam. Comiam chupa-chupas e compravam t-shirts com mensagens divertidas e imagens elucidativas. Negociavam e brincavam. Saboreavam gelados e davam as mãos, cantavam e usavam chapéus.
Todos os dias me sentava a ver o mar. Falávamos sobre nós, os nossos sonhos e projectos. Tirávamos fotos e ríamos: estávamos bem. Fazíamos promessas estúpidas aos olhos de outros, mas com tanto significado que ainda hoje as tenciono cumprir. E da mesma forma que não víamos onde o mar acabava, não víamos o fim de tantas outras coisas. Quando se está bem conhece-se o significado de “fim”?
A noite chegava. Com ela o cheiro da sala de jantar e do gelado de morango. O cheiro do champô e as risadas que vinham de todo o lado. As esperas dos mais ansiosos e o perfume do frasco vermelho. As luzes que nos cegavam e a espuma que nos atingia. As tequilas e os shoarmas. As conversas e o regresso à música, enquanto entoávamos “Love don’t let me go”.
Hoje tudo não passa de recordações, da vontade que o tempo volte para trás, de orações que nos tragam confiança. Que possamos viver tudo de novo e mudar o que não queríamos que tivesse acontecido, o que não faz sentido. Apetece diminuir a distância, abraçar e murmurar. Amar, amar, amar. Mas tudo é estranho.
Como alguém disse, foi como um sopro estranho: aconteceu.
(As pessoas continuam a falar e rir à minha volta. Parecem tão felizes! Também eu o faço. Mas a vontade não é a mesma. Foi o sentido que mudou.)
(Março/2007)
La Salet

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