
Fale-nos brevemente de si enquanto mulher casada.
Fui educada para ser uma mulher servil. Felizmente encontrei um homem que não se aproveitou desse facto. Sempre me compreendeu e me deu apoio enquanto mulher.
E não gosto muito de falar do homem e da mulher, dessa forma parecem rivais. Gosto de os ver como ser humano. São diferentes, claro, e completam-se. Há coisas que faço melhor e coisas que o meu marido faz melhor. Eu cozinho, ele detesta cozinhar. Ele faz mais coisas no exterior. Mas se for preciso trocar de papéis claro que o fazemos!
Falando do início, claro que houve muitas vezes em que me calei. Tive de ir conhecendo os seus pontos fracos, vendo quando devia falar, quando devia calar-me. Ele chegava a casa sempre à hora do jantar. Vinha cansado, por vezes irritado. E era eu a ponte entre ele e os meninos. Então o que descobri? Que depois do jantar ficava muito mais calmo. Qualquer problema que tivesse falava-o nessa altura.
Temos de aprender a viver, e para isso não há uma regra. As pessoas são diferentes, as formas de pensar diferentes, as atitudes…
Voltando ao que dizia, sempre quis viver em paz. Acho que de vez em quando é necessário discutir para esclarecer as coisas, mas se o pudermos evitar e chegar ao mesmo destino sem mágoas nem ressentimentos, por que não fazê-lo? O que fazem duas pedras quando chocam? Faísca, sim. Será isso sempre necessário?
Optei então por calar muitas vezes. Ao início foi difícil, não nego. Mas valeu a pena. Não deixei de dizer muitas coisas que queria por ter-me calado em certas alturas. Disse-o mais tarde, quando as coisas já estavam mais calmas e foram aceites de uma forma muito melhor. Assim nos entendemos ao longo destes anos e considero que tenho sido feliz. Temos personalidades diferentes, gostos diferentes. Eu gosto da escrita, ele nem liga ao que escrevo. Ele gosta da matemática, eu apreciava-a quando a ensinava aos meus meninos. No entanto sempre nos entendemos assim.
Ele vai mostrando o que lhe vai na alma à sua maneira, eu vou dizendo e escrevendo. Vou questionando e procurando incessantemente respostas para as minhas perguntas. Sei que nunca vou encontrar todas as que procuro, mas vou sabendo viver com esta dose moderada de ignorância que me vai dando vontade de prosseguir. Espero ter correspondido.
La Salet

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