No tempo real em que vivemos, nós, animais pós-animalescos, sabemos o que significa uma viagem de comboio. Há comboios velhos e novos. Comboios confortáveis e desconfortáveis. Como nós, os nossos pais e avós já viajaram de comboio. Acomodaram-se numa determinada carruagem, em cada viagem que fizeram, e hoje contam-nos algumas delas. Umas estão presentes, outras nem por isso. Há aquelas em que correram perigo e nos tentam alertar para que não o corramos. Há as outras em que riram sem parar e a que se referem como as mais divertidas. Há as dos dias de chuva em que se moviam num ambiente sujo que cheirava a ontem. Há as que ocorreram sem sobressaltos, até chegarem à estação de destino e se perderem. Há as que ocorreram com sobressaltos até ao destino e que quando lá chegaram não se perderam no meio da multidão. Em todas, sem excepção, tiveram quem lhes picasse o bilhete testemunhando que fizeram aquela viagem.
Quando estamos numa estação ferroviária vemos passar vários comboios, mas apenas nos metemos naquele que queremos apanhar. Os de mercadorias passam a baixa velocidade, para que tenhamos tempo de pensar se é neles que queremos entrar, misturando-nos com os objectos standardizados e embalados que circulam ordenadamente dispostos, prontos a serem escolhidos por quem os quer comprar. Os urbanos passam a uma velocidade moderada, levando-nos quase sempre à rotina a que não queremos chegar depressa. Os turísticos levam-nos em velocidade de cruzeiro para que possamos aproveitar cada segundo de alegria. Os de alta velocidade apenas nos querem fazer mudar de vida em pouco tempo, não nos dando sequer tempo para pensar. Em cada dia que precisamos de organizar uma viagem temos de ser nós a escolher o mais conveniente.
Conhecemos ainda comboios que nos levam às montanhas, tendo de abandonar a linha recta que consideramos normal para subir e descer, correndo o risco de reagir mal à mudança de altitude. Há os comboios que passam no campo, nos inspiram calma, fazem respirar e até suspirar. Há os que passam perto do mar e nos fazem ver que o mar conhece a serenidade nos dias bons e se revolta em dias de tempestade. Há os citadinos que nos intoxicam com a poluição do ar. Há os que nos fazem atravessar fronteiras em busca do sonho pretendido. Há os que nos levam mesmo até à fronteira e nos obrigam a passá-la de uma forma diferente, à nossa responsabilidade. E há ainda os que unem duas margens, atravessando pontes de tamanho e largura variáveis.
Todos eles têm particularidades comuns que os fazem receber o nome de comboio. Todos têm um maquinista que o dirige, carris sobre os quais têm de seguir – se descarrilarem vão precisar de algum esforço para voltar ao normal-, espaço para andar à vontade, zonas de acomodamento de carga, portas por onde se pode entrar ou sair, um apito ensurdecedor que funciona em alturas de perigo, um sítio mais ou menos firme para nos segurarmos em alturas de desequilíbrio, um ponto de partida e um ponto de chegada. E todos eles fazem viagem de ida e volta. Quando fazem apenas de ida alguma tragédia aconteceu no percurso.
Depende de nós, passageiros, comprar o bilhete certo, pagando mais ou menos por isso. Compete-nos decidir qual o que queremos apanhar e qual a carruagem em que devemos entrar. Depende de nós não ficar só no cais a vê-los passar sem ter coragem de um dia viajar. Compete-nos estender o bilhete ao pica para que fique marcado. E compete-nos sobretudo não nos atrasarmos. O comboio parte na hora certa, depende de nós apanhá-lo ou não. Talvez o próximo passe tarde de mais.
Quando estamos numa estação ferroviária vemos passar vários comboios, mas apenas nos metemos naquele que queremos apanhar. Os de mercadorias passam a baixa velocidade, para que tenhamos tempo de pensar se é neles que queremos entrar, misturando-nos com os objectos standardizados e embalados que circulam ordenadamente dispostos, prontos a serem escolhidos por quem os quer comprar. Os urbanos passam a uma velocidade moderada, levando-nos quase sempre à rotina a que não queremos chegar depressa. Os turísticos levam-nos em velocidade de cruzeiro para que possamos aproveitar cada segundo de alegria. Os de alta velocidade apenas nos querem fazer mudar de vida em pouco tempo, não nos dando sequer tempo para pensar. Em cada dia que precisamos de organizar uma viagem temos de ser nós a escolher o mais conveniente.
Conhecemos ainda comboios que nos levam às montanhas, tendo de abandonar a linha recta que consideramos normal para subir e descer, correndo o risco de reagir mal à mudança de altitude. Há os comboios que passam no campo, nos inspiram calma, fazem respirar e até suspirar. Há os que passam perto do mar e nos fazem ver que o mar conhece a serenidade nos dias bons e se revolta em dias de tempestade. Há os citadinos que nos intoxicam com a poluição do ar. Há os que nos fazem atravessar fronteiras em busca do sonho pretendido. Há os que nos levam mesmo até à fronteira e nos obrigam a passá-la de uma forma diferente, à nossa responsabilidade. E há ainda os que unem duas margens, atravessando pontes de tamanho e largura variáveis.
Todos eles têm particularidades comuns que os fazem receber o nome de comboio. Todos têm um maquinista que o dirige, carris sobre os quais têm de seguir – se descarrilarem vão precisar de algum esforço para voltar ao normal-, espaço para andar à vontade, zonas de acomodamento de carga, portas por onde se pode entrar ou sair, um apito ensurdecedor que funciona em alturas de perigo, um sítio mais ou menos firme para nos segurarmos em alturas de desequilíbrio, um ponto de partida e um ponto de chegada. E todos eles fazem viagem de ida e volta. Quando fazem apenas de ida alguma tragédia aconteceu no percurso.
Depende de nós, passageiros, comprar o bilhete certo, pagando mais ou menos por isso. Compete-nos decidir qual o que queremos apanhar e qual a carruagem em que devemos entrar. Depende de nós não ficar só no cais a vê-los passar sem ter coragem de um dia viajar. Compete-nos estender o bilhete ao pica para que fique marcado. E compete-nos sobretudo não nos atrasarmos. O comboio parte na hora certa, depende de nós apanhá-lo ou não. Talvez o próximo passe tarde de mais.

Sem comentários:
Enviar um comentário