Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




sábado, 2 de maio de 2009

Fazes-me falta


O teu código moral burocratizou-se; havia alíneas para todas as infracções. E mesmo as maiores passaram a ter pouco valor. Aprendeste que é mínima a distância entre um deslize e um crime. Que todos podemos, num dado instante, escorregar para o negro. Uma bebida, duas, um bêbado, um assassino; um charro, um cheiro de coca, uma dependência, um ladrão. A vida tornava-se assim. Incontida. Demasiado simples e complexa. Música em crescendo, ensurdecedora. Sem qualquer verdade de partida.



in "Fazes-me falta", Inês Pedrosa


Sem comentários:

Enviar um comentário