Pede-me que feche os olhos, não me peças que deixe de ver.
Pede-me que me cale neste momento, não peças que o faça para sempre.
Pede-me que deixe de pensar, não me peças que deixe de intuir.
Pede-me mais um dia, não me peças o resto da vida.
Pede-me mais um passeio ao luar, não me peças que percorra o mundo numa noite.
Pede-me este abraço, não me peças que esteja de braços abertos indefinidamente.
Pede-me um sorriso, não uma gargalhada contagiante.
Pede-me uma dança, não penses que esta vida é feita de movimento coordenado.
Pede-me um sacrifício, não faças de mim uma sacrificada.
Pede-me uma palavra, não me peças uma história.
Pede-me um elogio, não que te bajule.
Pede-me uma flor, não me obrigues a criar um jardim.
Pede-me um segredo, não a minha vida.
Pede-me uma música, não me peças que a escreva.
Pede-me um desejo, não o impossível.
Pede-me uma gota de chuva, não peças uma nuvem.
Pede-me abrigo, não me peças um refúgio.
Pede-me lume, não me peças uma chama eterna.
Pede-me o ombro, não te apoderes do meu corpo.
(Ou pede-me o corpo, mas não te apoderes da alma.)
Pede-me que te ame, não que enlouqueça.
Pede-me que perdoe, jamais me peças que esqueça.

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