Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




domingo, 8 de novembro de 2009

Pensamentos soltos


Por vezes, num pequeno espaço de tempo consigo aperceber-me de tanta coisa que me faz crescer. Percebo o que custa partir, tão diferente da sensação de ver partir. Olho à minha volta e vejo pessoas cansadas e tristes, que não conseguem simplesmente disfrutar de cinco minutos de conversa despreocupada e relaxante. Dói ver que tanta gente muda de dia para dia e que ainda assim ninguém muda.
Converso com a pessoa do lado que está triste por estarmos sós neste ideal, ouço a outra que não se consegue desligar do que a prejudica e, mesmo assim, estamos ali umas pelas outras numa procura de felicidade na simplicidade. Vejo o estado a que chegaram alguns e percebo ao que tenho de dizer não, vejo quem me rodeia e sei a quem tenho de relembrar que SIM. Descubro novas pessoas nas antigas, ouço a simplicidade com que falam do que complico, reafirmo a capacidade que vai ali dentro. Conheço a futilidade que vai dentro de outros, a ruindade e hipocrisia de tantos. Discuto a ausência de valores dos que procuram sempre as namoradas dos amigos - tão frequente e próximo que até me custa-, a incapacidade de amar, a ilusão de tantas paixões, a aprendizagem da dor. A mentira de tantos, o engano de outros tantos ou até mais, o passar de culpa, que é sempre mais fácil do que admitir que estamos enganados, a frieza com que nos tratam pessoas de quem fomos próximos, por não nos conhecerem tão bem como achávamos. Tudo isto me enche a cabeça, paira no ar, consertamos o que ainda é possível. Está calor aqui dentro e lá fora já raia o dia. Eu estou bem e vejo que vocês também. Via na tua cara que era preciso e pela tua forma de falar que teria de acontecer. A conversa tem de acabar, quem agora paira no ar somos nós. Esta cabeça continua a latejar enquanto os olhos se fecham de dor. Mas no fundo, sei que estou bem. E não há nada que pague este primeiro ar da manhã.

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