Quando era mais novinha tinha a mania que era muito independente. Não precisava de ninguém, agia friamente e em situações que me desagradavam punha um ponto final na hora, transformava-me numa pedra e tornava-me intocável. Ainda assim, fui muitas vezes enganada, na minha adolescência inocente. Depois veio uma fase mais frágil, em que ia abrindo os olhos perante o que me rodeava, mas que me era impossível pôr um ponto final no que quer que fosse e quando teve de acontecer soube o que era ficar de rastos. Mas eu era tão forte...
Agora que já me sinto mais consciente, e ainda que precise de crescer muito mais, começo a aprender a lidar com o que se passa. Sei muito mais do que queria e tenho um sexto sentido que me irrita profundamente, já que considero a ignorância um bem precioso. Aprendi a calar-me quase sempre, a evitar pensar, a fingir, fingir, fingir e a agir na altura certa. Para além de o baque ser maior, livro-me de qualquer sentimento de culpa. De dia para dia torno-me mais prática.
*Parte da letra de "Eu sou assim", Luiza Possi


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