Ainda recordo aquele dia quente que passei em casa e que criou entre nós um muro inultrapassável. Lembro-me do que puseste em causa, com a tua asa ferida e as hormonas que te pulavam no peito. Da luz amarela, o taco que rugia quando era calcado, os sorrisos ébrios nem eu sei ao certo de quê. Tudo está presente em mim como se do aqui e agora se tratasse. Vejo o olhar escuro e penetrante que faz tremer pernas e vacilar. E repenso. No passado, no presente, no futuro.
Continuo ao sabor do vento, riscando dias no calendário, almejando que o tempo não passe. Não quero crescer nem saber mais. Hoje acho que já aprendi mais do que tinha para aprender. E tu que foste tão bom mestre! A razão tirou-me a vontade de viver, a desilusão a de sonhar. Queria deitar-me numa banheira e adormecer, lentamente. Talvez aí conseguisse rever bons momentos há tanto guardados no fundo do baú. E voltar à inocência enquanto a luz se acendia. E apagava.
É como o nosso amor
Somente embalo
Enquanto não é mais que uma promessa...

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