Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Oh God!


Se há coisa que gosto é de observar pessoas. Mais do que conhecê-las, falar ou até privar, gosto de as observar e imaginar. Adoro, portanto, locais cheios de pessoas e de encontros. Aeroportos, estações de comboios, transportes públicos são um mundo a que adoro pertencer. É inevitável estar num sítio destes sem magicar acerca de quem me rodeia. De rir ou até mesmo chorar com quem me cruzo. Um dia já fomos ou seremos nós, em tantas daquelas situações.
Hoje entrei no metro e sentei-me entre dois casais. Um silencioso, no qual nem reparei e um do qual não pude despregar o olhar. Um casal que se via que estava a começar a relação, sem confiança e sem qualquer tipo de química. Ele, muito querido e a tentar agradá-la ao máximo. Ela nem o conseguia olhar nos olhos. Ele punha-lhe o braço por cima do ombro, enquanto lhe tentava arrancar uma palavra. Brincava com a alça da mal dela, típico de quem não sabe o que há-de fazer em tal situação de constrangimento mútuo. Ela olhava sempre para o lado, com cara de quem apenas queria chegar ao destino e esquecer o companheiro de viagem. Até que ele pergunta "por que é que te chateias sempre comigo?". Num esgar de pena (palavra feia, eu sei), responde-lhe com doçura que "não é sempre, é só de vez em quándo".
O rapaz era o típico gordinho esforçado, que a fazia perder-se no seu abraço quando não queria mais do que mantê-la perto. Deve ter lutado bastante até ali. Ela, a típica boa rapariga que dá uma chance a quem corre muito atrás, num acto de bondade, na esperança de que desta vez possa mesmo dar certo. Mas não deu. Ela já não aguenta tê-lo perto e não sabe como sair deste filme onde entrou arrastada. Lamento muito por ele, mas não menos por ela. Afinal qual de nós nunca esteve numa situação destas, da qual não sabe como esquivar-se sem mágoa?
Relembro que isto não passa de uma especulação minha, eu que em todos os que observo tento encontrar um pouco de mim. Que me perdoem os lesados, mesmo que não saibam. Mas como diz a minha querida Cidália:
Oh God make me good, but not yet.

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