Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




quinta-feira, 22 de abril de 2010

De mão dada com o amor




Quando se pensa em paixão, pensa-se automaticamente em beijar. No entanto, eu não penso. Eu penso em dar a mão, que não há nada que mostre maior sentimento do que esse gesto. Ainda me lembro das primeiras vezes que dei a mão por gostar. Do alto da minha puberdade apaixonei-me pelo improvável e ainda hoje recordo a intensidade do primeiro momento em que os dedos se tocaram. O coração queria saltar do peito, o sorriso teimava em aparecer e o olhar fazia a cabeça tombar timidamente. Era uma adrenalina que se apoderava do corpo!
Dar a mão tem uma técnica que vai muito além de agarrar na mão do outro. É dar o jeito certo, acariciar com perícia e pôr toda a emoção numa aperto esporádico. Claro que nem todos os sabem fazer. E, naturalmente, muitos desconhecem até a sua importância.
Em conversa com uma amiga, digo muitas vezes que ter o corpo não é a grande batalha. A batalha é dar a mão e ser capaz de tocar cá dentro. Isso sim, é difícil. A mão não se dá ocasionalmente em situações passageiras, entrega-se junto com a alma, numa partilha enamorada. E não é bonito ver um casal na rua (ou ser metade dele) a passear unido pela mais significante parte do corpo humano? É que casais a beijarem-se numa esquina vemos nós em todo o lado, numa procura carnal exasperada. Agora casais que partilham a mão como quem partilha o coração são raros.
Talvez um dia alguém tenha pensado como eu, quando viu no matrimónio uma partilha de vida. Se não, ainda me hão-de explicar o porquê da aliança em detrimento do alfinete de peito usado do lado esquerdo. Afinal podia usar-se sempre, que não temos o hábito de andar por aí nus. E podia ter um significado mais coerente, que nos iríamos picar de vez em quando, como o amor nos faz ao coração. E quantas vezes sangra! Mas escolheram bem. Faz bem à vista uma mão a luzir. E há quem diga que também ao ego.
Por isso apelo à exclusividade. Beijem, abracem, acariciem,encostem a uma parede ou abram os lençóis. Mas a mão dêem junto com o coração. Só assim poderão saborear o amor e saber que vale a pena.


E nas despedidas, qual é a última coisa que se larga?

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