Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 13 de abril de 2010

Vou ser fiel sem me cansar

Quando abro os olhos deparo-me com um quarto a que a luz chega cor de laranja. Vejo-te de costas na cadeira preta, admirando-te sem que o percebas. É divina a imagem que os meus olhos captam e que a banda sonora, na sua simplicidade, só consegue consegue melhorar. Quando rodas a cadeira e mergulhas no edredão preto há algo dentro de mim que sabe que aquele momento só será finito no tempo (tão escasso, esse!), porque a memória fará questão de o eternizar naquele tão grande compartimento dedicado a ti. Surge uma explosão de ternura de dentro para fora que me alimenta a alma e me aproxima inexplicavelmente de ti. Ouço o contrabaixo ao fundo. Aninho-me junto à tua pele sentindo-lhe a textura com a ponta dos dedos, que fazem questão de a percorrer de lés a lés. Vamos discutindo o amor entre homem e criança que dizes ser entre homem e homem. Rimos com a minha inocência. Rimos porque estamos no nosso ambiente. Rimos porque existimos juntos. E o piano de fundo... Vamos cantarolando enquanto seguras o chuveiro. E sei que vou cantarolar até quando não estiveres por perto, só porque tu és música. E dessa partitura eu não quero perder nem uma nota.

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