Tenho um grave problema de gratidão e admiração. Nos últimos dias, depois de ter recebido mensagens de duas pessoas importantes, recordei o bem que me fizeram. São pessoas com quem já não tenho convívio diário, mas que não deixam de estar presentes diariamente dentro de mim.
Numa dada altura complicada da minha vida, precisei de apoio. As pessoas que esperei que mo dessem, não deram. E assim me apoiei naquelas que se lembraram de se preocupar comigo. Que me ouviram e se fizeram ouvir, que me limparam as lágrimas e dormiram do meu lado depois de extenuantes conversas. Foram aquelas que me afagaram a cabeça no colo, abraçaram nos sítios improváveise e me divertiram em noites inesquecíveis. Essas foram as que me ajudaram a dobrar a roupa e a fazer a mala, que me abrigaram no seu casulo e que despoletaram o prazer pela escrita. Abriram-me o seu coração, acolheram-me como parte de si e partilharam o seu mundo.
Sinto saudade da altura em que todos os dias eram deles. De acordar e saber que um simples telefonema nos levaria a estar juntos. De sair de casa e saber que os veria, mesmo que sem querer. Da certeza que tinha aqueles ombros todos à minha espera na esquina mais próxima. Da noção de que a nossa noite poderia acabar dentro de um carro, no meio do nada a ver o céu ficar rosado ou num pinhal ermo, que naquele porto de abrigo eu estava segura. Sinto até saudade da velocidade e da adrenalina na cidade, na auto-estrada ou entre as árvores.
Alegra-me a certeza de que quando as vejo, o tempo não passou. E hoje tenho por elas uma admiração que nem o infinito pode quantificar.

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