Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 21 de junho de 2011

Adeus, filho




Sempre quis ser mãe. Desde pequena que esse é um projecto de vida, a realizar na altura certa. Quero sê-lo tendo a certeza de que posso ser competente na minha função, que tenho o pai perfeito para o meu filho e que temos a certeza de que estamos dispostos a acompanhar juntos o crescimento da criança. De outra forma não faz sentido.
E hoje o C. fez-me pensar em algo assustador. A propósito da morte de Ryan Dunn, o actor de "Jackass", falámos da dor dos pais que perdem um filho. Deve ser absolutamente dilacerante. E, disse ele, que quando se pensa em ter filhos, nunca se põe a hipótese que um dia os podemos perder. O que é verdade. Nenhum pai acha que pode perder um filho, por maior que seja o temor.
Lembrei-me dos meus tios que perderam a L., de que tanto falo. Daquele casal que perdeu o N, numa saída à noite normal. No outro que perdeu o M. com uma leucemia. E de uma mãe que mal conheço, mas com quem já estive diversas vezes e de todas lhe vi a tristeza estampada no rosto. A mãe do Carlos Paião. Uma mãe que tanto orgulho devia ter naquele filho único, que a estrada lhe roubou. O filho que musicou a história da sua vida.


Ouve, quero contar-te uma história de amor
Dessas que a gente já sabe de cor
Igual a tantas que esta vida tem
Vais conhecer duas pessoas como outras quaisquer
Dois namorados que foram viver
A história linda de quem se quer bem

Apaixonados com o tempo à frente
Tinham carícias a queimar na mão
Tocando a dor de quem se sente
Um escravo do seu coração
E num só corpo quando se abraçavam
Beijando as horas com melancolia
Nunca as palavras chegavam
Para tudo o que no peito havia

Ela, sempre bonita na sua ternura
Dava alegria, a forma insegura
Dos que procuram sonhar o real
Ele, tinha um emprego nas ondas do mar
Pescava os versos do seu navegar
E as despedidas sabiam-lhe a sal

Adeus querida, que me vou embora
Levo as saudades, que te vou deixar
Hei-de lembrar-te noite fora
Assim como quem quer chorar
O mar é longe e longa é a nossa espera
E as palavras vão de encontro ao cais
Adeus querida, quem me dera
Que eu não partisse nunca mais

E depois, os dois casaram como era suposto
Sonhos na alma, sorrisos no rosto
Como as pessoas mais belas do mundo
Lado a lado, criando as ruas do seu dia-a-dia
Dobrando esquinas que a sorte trazia
Como nós todos fazemos no fundo

E então perguntas-me a razão da história
Assim tão simples como respirar
Sabes, amar é uma vitória
E a vida é simples de contar

Eu aprendi a perceber melhor
A importância das coisas normais
É que eu fui filho desse amor
Da história linda dos meus pais

Eu sou o filho desse amor
Palavras que já não dizem mais
 

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