Aqui me confesso, eu que um dia mudei de casa e de vida e renasci Merlia.




terça-feira, 21 de junho de 2011

Adormecido




Entrámos no carro e perguntaste-me o que queria ouvir. Não sabia bem, as opções não eram muitas. As músicas estavam gastas, a sonoridade deixou de ser audível. Encontraste um cd no meio de tantos perdidos, que concordámos ouvir. Era já bastante antigo mas sabíamos as letras todas de cor.
Cantámos enquanto desbravávamos o escuro, umas mais alegremente, outras com maior nostalgia, até chegarmos à música que associo sempre a ti e ao J. Antes de começar pus mais alto, sem querer. E logo me arrependi. Quando vocês se reconcialiaram, ele disse-te que sempre que ouvia essa música pensava em vocês e que a ouvia vezes sem conta. A partir daí passaste a ouvi-la em repeat e eu, que a ouvia contigo, comecei a explorar cada palavra, cada significado, cada metáfora.
Enquanto aquela voz ecoava no carro, eu revi a vossa história. Inspirei os vossos momentos de paixão como se os tivesse vivido, senti a força da ligação e a leveza de espírito que a paixão vos trazia. E sofri como tu, sofri por ti. Imagino a saudade que te invade, por mais que a tentes superar. Imagino a vontade que tens, enquanto a música toca, de a ouvires nos braços dele enquanto te sussurra todas aquelas promessas eternas. Imagino a tua sede de largar tudo e ir atrás. A que só faz sentido quando vivemos sonhando. A que não pode existir no mundo real.
E se um dia deixar de ser assim, eu estarei aqui para correr contigo essa maratona. Em alturas de cansaço, estarei cá para te relaxar. Em alturas de sonho, estarei aqui para voar contigo. Porque eu também sei que há abraços únicos. Que não se encontram em quaisquer braços, por mais que procuremos.


Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior

No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo

E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste

Por alguém que te conheceu
Que te faz tremer ao passar
Porque nunca a deixaste de amar


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